Sobre um depósito de gasóleo

Eu sou perfeitamente capaz de gastar quantidades imorais de euros em sapatos de marcas conceituadas e só não gasto mais em carteiras porque estes indispensáveis e lindos e caríssimos acessórios geralmente ficam a cargo das ofertas de anos ou natalícias ou outras da minha Mãe ou do meu marido; na roupa sou igualmente perdulária, mesmo aprtoveitando os saldos, que agora – graças ao estado robusto da nossa economia e, sobretudo, do nosso comércio de retalho – começam uma ou duas semanas depois do frio e do calor (um dia destes escrevo aqui sobre este desfasamento) da mesma estação; a Amazon britânica deve ter-me como uma das melhores clientes e não estranharia que estivessem e desenvolver estudos sobre adicção de comprar livros com base no meu registo de encomendas. As compras para a descendência nem vale a penas referir, que são quase todas de primeira necessidade. Há outras coisas, no entanto, em que sou uma sovina que o Tio Patinhas admiraria. Por exemplo, detergentes; odeio gastar dinheiro em detergentes, apesar de ser bastante picuinhas com o asseio doméstico. Electrónica em geral é algo que desdenho e, gostando dos portáteis e das máquinas de fotografar e filmar digitais (e é tudo!), contento-me com os modelos mais baratinhos e modestos, de preferência aqueles que já têm essa eternidade de tempo tecnológico que são uns nove meses e se vendem em promoção. A minha irritação-mor quando se trata de pagamentos vai para os combustíveis. A gasolina (ou gasóleo) é algo que não se vê, que não nos dá qualquer satisfação e, contudo, é essencial e caríssima. Alguns dos meus momentos mais rabugentos sempre foram as idas às bombas de gasolina para encher o depósito, mesmo quando encher o depósito ficava por uns 50€. Presentemente, estas idas em busca de gasolina são causadoras de quase um pré-AVC. Hoje fui encher o depósito de gasóleo e paguei 109€. Cento-e-nove-euros! Não sei se tenho comprado jornais e revistas em quantidade das últimas vezes que enchi o depósito, se tenho ido com o dearest husband e tem pago ele, mas o certo é que ainda não havia pago por um depósito mais de cem euros. Estou estupefacta.

É verdade que o meu carro gasta pouco e tem um depósito grande, mas à parte todas as consequências macro benéficas que uma redução do ISP traria (deixem-me lembrar: como Pedro Passos Coelho pediu e muito bem), neste momento a manutenção dos níveis actuais de ISP é uma afronta pessoal que o governo me faz. Algo vai muito mal num país em que quatro depósito de gasóleo (ou, às vezes, só três) dão para comprar uns sapatos Dolce & Gabbana.

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