Mais disparates estatistas

Tive uma conversa sobre este assunto tão bem alinhavado pela Helena Matos aqui com um dos meninos do Farmácia ainda ontem. Eu não fazia ideia (porque é uma ideia absurda) de que uma pessoa compra um serviço a um arquitecto e, de seguida, na sua propriedade, é obrigada a conviver com as opções do arquitecto ad eternum mesmo quando as suas necessidades, o seu gosto ou o seu mood se alteram. Para mim isto é um claro atentado à propriedade privada. Aparentemente os direitos de autor merecem ser mais resguardados.

De facto estas sociedades ditas livres estão cheias de pessoas (infelizmente as que costumam estar no governo) que apreciam em demasia dizer aos outros como devem viver, que procedimentos devem favorecer, que comportamentos são aconselháveis. A licençazinha, a taxazinha para nos ser permitido fazer qualquer coisa corriqueira é o acto mais essencial na nossa sociedade.

Claro que quando um grupo de pessoas tem o poder para tomar decisões sobre a vida das outras pessoas, cuja realidade não conhece, no caso concreto quando têm poder para impor aos restantes regras estéticas – como se numa sociedade livre não houvesse direito ao mau-gosto – o resultado só pode ser desgraçado.

O que mais me preocupa é que a Direita (ou so called) se sinta tão confortável com esta situação.

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3 respostas a Mais disparates estatistas

  1. Olhe que uma das principais ideológos do liberalismo moderno escreveu um livro exactamente à volta do direito de um arquiteto não ver a sua obra alterada. Ou seja, isso talvez não seja assim tão “estatista”.

  2. Carmex diz:

    Miguel Madeira, em primeiro lugar bem-vindo aqui ao farmácia.

    Pois, isto quer dizer que até os liberais são suceptíveis de ideias descabidas. Por mim, acho inadmissível que eu não possa alterar o meu apartamento se quiser e com o arquitecto que entender só porque quando me mudei encomendei o prejecto de remodelação (moro numa casa antiga) a um determinado arquitecto, que pode decidir que a casa não precisa das alterações que eu quereria ou que mais ninguém pode complementar a sua criação.

  3. Manel diz:

    Já comentei isto noutros sítios mas estou a apreciar o debate.
    Por a arquitectura ser uma actividade que tem sempre associada uma dimensão pública o equilíbrio tendeu (aqui, como em quase todas as sociedades comparáveis à nossa) a entregar esta actividade a profissionais com competências específicas abrangentes (sabem um pouco de tudo desde os esgotos aos sistemas de energia alternativa, dos electrodomésticos às orientações solares) que tratam de coordenar todas as especialidades e todos os interesses em conflito (entre o privado e o público). Precisamente por isso é que existem mecanismos de controlo da construção (com excepções para situações de pouco impacto – ninguém o chateia se quiser construir um anexo até 10m2 que não esteja em contacto com a via pública, por exemplo).
    Não me incomoda que exista uma protecção dos direitos de autor para os projectos de arquitectura tal como há para os fármacos da sua farmácia central. E essa protecção, aqui como em qualquer outro caso de propriedade intelectual, não é absoluta.

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