Tão tecnológicos que nós somos

Ao ler

“onde é assaltado um tribunal (o 3º este ano) com câmaras de vigilância, alarme e detectores de metais, mas em que tudo estava desligado ou avariado pelo que neste momento não existem suspeitos”

do tão bom post do Imodium, lembrei-me das viagens que há uns anos fazia a Nova Delhi para visitar uma feira vocacionada para as exportações (indianas) e que eram sempre meus os dias mais odiados de cada ano. Não vale a pena explicar aqui a (des)organização, descrever as casas de banho (que usei uma vez apenas e depois disso, todos os anos, a limpeza das mãos sobrevivia com toalhetes daqueles de supermercado e o resto com uma deficiente ingestão de líquidos) ou oferecer-vos um vislumbre da oferta de restaurantes na feira.

Mas vou descrever os fabulosos detectores de metais da feira (e, de resto, os restantes do país que eu conheci, porque são frequentes nos monumentos). A fila para os referidos detectores era mesmo indiana, o que quer dizer que quem está atrás de nós se encosta mesmo a nós numa intimidade muito indesejada. Também a passagem é arbitrária: os estrangeiros não se livram do detector (que está sempre rodeado de vários guardas robustos) mas os indianos mais atrevidos (ou que são, de forma evidente para os seus compatriotas, de uma casta superior?) rodeiam o detector e nem olham para trás quando algum guarda os chama (o que na maioria das vezes não acontece). Também a ordem de passagem era caótica, porque de repente podia aparecer alguém que ultrapassasse os outros e passasase no detector ao mesmo tempo que outra pessoa, perante a complacência dos guardas. Quase a terminar: os detectores dividiam-se nos que tocavam sempre que alguém passasse e os que nunca tocavam. Mas o mais engraçado é que, depois de quatro ou cinco homens bem-constituídos se assegurarem de que (quase) toda a gente passava pelo detector, era frequente verificar-se que o único fio eléctrico que saía da máquina não estava ligado à tomada. É dispensável dizer que claro que os guardas robustos, qualquer que fosse o comportamento dos detectores, nunca chateavam ninguém.

O nosso estimável PM pode falar de planos tecnológicos, oferecer computadores às crianças e etc., mas a verdade é que estamos mais próximos da Índia do que gostaríamos.

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