O que esta campanha presidencial americana está a mostrar, antes de tudo, é que a comunicação social, enquanto se agonia (e bem) com comportamentos e ditos racistas não se incomoda nada em se rebolar em sexismos lamacentos – ou, na fórmula mais antiga, em machismo.
Já a Hillary havia sofrido disto. Mas enfim, a Hillary é democrata. A Sarah Palin é republicana e, para mais, bonita.
Um blogue liberal anónimo insinuou que o quinto filho de Palin (que tem síndrome de Down, o que até é consistente com a idade em que se viveu a gravidez) era, na realidade, neto de Palin. Em resposta a campanha de McCain revelou a gravidez da filha de 17 anos de Sarah Palin. Ora perante esta gravidez – com o que ninguém além dos directamente envolvidos têm algo a ver – um furor se levantou. Afinal Palin seria uma hipócrita por acreditar nos valores familiares e ter esta situação na família (a filha vai ter o filho e casar com o pai do bebé)!!! O que é revelador – e eu espero que seja o reconhecimento da misericórdia divina pelos complacentes – é que a direita evangélica aceita a situação bem e elogia o facto de a gravidez ser levada a termo e são os moralistas liberais que apontam o dedo acusador.
Para piorar ainda mais a situação, agora discute-se se uma mãe de cinco filhos consegue ter carreira política!
Um verdadeiro nojo.
Refira-se que Obama esteve muito bem nos seus comentários sobre a gravidez da filha de Palin.