O proteccionista

A propósito de uma troca de e-mails com o autor do Eleições Americanas de 2008, veio-me este ideia para um post, numa altura em que Obama lidera em quase todas as sondagens e tem probabilidades de ser o próximo “líder do mundo livre”, como as séries e os filmes gostam de retratar o POTUS.

Na política externa, a Obama não serão permitidas grandes aventuras. Diplomacia está muito bem se os líderes dos países com quem se negoceia querem, de facto, negociar. Ora muitas vezes isso não acontece: ou porque para ganhos internos (muitas vezes apenas para desviar a atenção da incompetência atroz dos seus governos) esses líderes apostam numa confrontação com “o inimigo americano” (será que o rompimento dos acordos sobre o programa nuclear norte-coreano não têm nada a ver com as recentes notícias da grave doença do louco que governa o país?) ou porque esses países têm mesmo agendas de política externa perigosas (fisicamente) para os países não-aliados ou porque preenchem as duas alternativas anteriores (por exemplo, o Irão). Para mais, chamando novamente a Coreia do Norte, os acordos com este países liderados por malucos valem tanto como nada: sevem apenas para serem quebrados quando tal for conveniente ao louco em funções.

Se Obama insistir em demasia nesta via, será inevitavelmente embaraçado. Faria bem em recordar-se dos anos que antecederam a II Guerra Mundial. Apenas diplomacia teria resultado com Itália se não houvesse Alemanha – porque os italianos, Mussolini incluído, NÂO queriam uma guerra; no entanto, com a Alemanha, qualquer diplomacia seria sempre inútil e qualquer acordo a prazo – porque os líderes nazis queriam seguir a sua política territorial de, chamemos-lhe assim, absorção, mesmo que tal significasse uma guerra com a França e a Grã-Bretanha. Por outro lado, no Foreign Office, Goring era considerado um moderado do regime, uma grande esperança e (a espaços) até com grande probabilidade de orquestrar um golpe e substituir Hitler; na realidade, todos os comportamentos supostamente moderados de Goring eram combinados com Hitler para enganar os britânicos. A mim não me parece que os moderados iranianos sejam melhores que Goring.

Tudo isto para dizer que, independentemente das utopias de Obama sobre a sua capacidade de encantar adversários (que, em boa verdade, esta eleição renhida já lhe devia ter mitigado), se eleito será obrigado a enfrentar a realidade e a agir responsavelmente, mesmo que haja um ou dois embaraços iniciais.

Já quanto à política económica, um perigo parece-me estar ligado a uma Administração Obama, e este perigo é o proteccionismo prometido por Obama. Claro que um dos seus mais próximos conselheiros disse aos canadianos que Obama apenas usava a retórica proteccionista para fins eleitorais e Obama já mostrou que faz o que for preciso para ganhar as eleições. Mas se se concretizarem algumas medidas proteccionistas, tal terá consequências graves nos vários países pobres que exportam para os Estados Unidos. E os próprios sofrerão as consequências do desagrado alheio. O que acontecerá se forem impostas à China medidas proteccionistas escondidas, como redução de emissões de CO2, sistemas de controlo de qualidade dos produtos mais apertadas, legislação laboral equivalente à dos países (ainda) ricos, ou algo nesta linha? A China pegará nas suas massivas reservas de dólares e vendê-las-á, com a consequente desvalorização desta moeda, que já não está num pico de fortaleza. Além de que medidas proteccionistas provocam proteccionismos de retaliação e onde param é incerto.

Tendo sido a globalização a causa da redução de pobreza nos últimos anos no mundo, as ideias proferidas (não se conhecem as reais) por Obama não são boas notícias.

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Uma resposta a O proteccionista

  1. martacosta diz:

    «Nada é permanente neste mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas.»

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