Quer uma casinha?

Não é óbvio?

A Câmara Municipal de Lisboa recebe, como pagamento de licenciamentos, imóveis. O que faz com esses imóveis? Vende-os, de forma a poder descer os impostos aos seus munícipes? Claro que não. Onde já se viu uma parte do Estado descer impostos? O rendimento obtido pelas famílias e empresas é algo de sujo, quase escabroso e sempre que o Estado consegue obter mais uma parcela deste rendimento – o que é quase uma redenção para tal vil metal – jamais se deve separar dessa ferramenta. Então o que faz? Vende esses imóveis e com o dinheiro obtido financia alguns projectos que beneficiem a generalidade dos munícipes, como melhoramento do pavimento das ruas, limpeza das ruas (inexistente), iluminação nocturna, reforço da segurança,….? Mas onde estou eu com a cabeça? O Estado tolera a propriedade privada, no entanto isso é apenas uma concessão para evitar convulsões, que o país apesar de engolir a retórica socialista já demonstrou não apreciar aventuras comunistas; sempre que o Estado consegue absorver mais um pouco dos recursos que anteriormente estavam em mãos particulares, suspira de alívio e promete nunca mais se separar desse pedacinho que um dia se transviou. Ou seja, mesmo tendo a CML um património imobiliário gigantesco, que não conhece sequer na totalidade (encomendaram um estudo que não receberam por falta de pagamento com o levantamento de todo o património imobiliário da CML) e, logo, não pode gerir, não vende pelo menos parte desse patrimínio e é um gigante falido, para quem um pedido de empréstimo não autorizado pelo Tribunal de Contas é uma catástrofe.

Como é óbvio, o destino dado a esse património imobiliário recebido como pagamento só pode ser um: oferecem-se as casas, em troca de rendas cuja média é 35€, a amigos, artistas, funcionários, enfim, a quem apetece no momento de quem decide (sem obrigatoriedade de seguir qualquer critério). Aparentemente essa falta de vergonha não é ilegal. Mas porque seria? Isto é apenas a sequência lógica da falta de respeito pelo dinheiro dos contribuintes com que os nossos responsáveis políticos eleitos nos oferecem, sem que haja levantamentos populares de indignação. O que, no fundo, é o que perturba mais. E me faz chegar à conclusão que deve mesmo haver muito poucas pessoas em Portugal que pagam impostos. O meu problema é que eu sou uma delas.

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