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Não há volta a dar: a entrevista de Sarah Palin a Katie Couric foi algo surreal (não tendo sido tão má como a pintam, no entanto; a própria entrevistadora disse que a candidata se aguentou bem perante as perguntas, embora fosse vaga). A entrevista à ABC foi, para mim, boa. Claro que Palin não é especialista em política externa ou política económica, mas nas restantes áreas, e em especial na energética, foi bastante competente. E, na política económica, até agora foi a única dos quatro candidatos a relevar o facto de os Freddie Mac e Fannie Mae serem instituições quase-públicas (a tal garantia pública) como parte da causa da crise destas instituições. E na política externa, bem, apenas se pode acusar Palin de falta de eloquência, porque quando alguém é comparado desfavoravelmente a quem defende encontros sem pré-condições com norte-coreanos e iranianos e depois se enrola a explicar o que seriam as preparações, bem, isto ou é distracção ou má-fé.

Palin tem sido criticada não porque de facto seja má, mas porque é mulher, é republicana, é conservadora, e, pior, é carismática. O que faz com que a imprensa liberal a odeie. Eu acho uma vergonha a campanha que se lhe tem feito, e duvido que não se vire contra a imprensa e os democratas (ainda que eventualmente não na dimensão de dar a volta às sondagens e à campanha). É que os liberais estão-se a esquecer de algo que faz parte do folclore político americano e que é também parte do allure de Obama (ou pelo menos era, até toda a gente perceber que ele é apenas um político que fala bem e tem tantos escrúpulos como os mais manhosos). Refiro-me ao outsider bem-intencionado, íntegro, crente nos valores americanos, mas inexperiente. Refiro-me ao Mr Smith Goes To Washington. Refiro-me ao Jefferson Smith, que é escolhido para o Senado por ser considerado maleável, mas que em Washington quer fazer a diferença e não se sente bem a votar como lhe mandam; que encontra e combate uma teia de influências e corrupção que numa campanha violenta e tormentosa o tenta destruir; que é inexperiente e até inábil com a imprensa: a cena do bar dos jornalistas onde estes lhe dizem o que pensam dele e das suas boas intenções é devastadora. No entanto, a tese do filme, um dos mais amados de Frank Capra, com um dos mais amados actores do sec. XX, é a de que pessoas como Jefferson Smith, o tipo comum íntegro e trabalhador, fazem falta na Washington corrompida. E esta tese não é nada distante da de McCain.

Estas semanas foram muito más para McCain e Palin. Ajudaram o ‘golpe’ de McCain e a subtracção à imprensa de Palin, mas a causa foi sobretudo a turbulência económica. Dentro de umas semanas voltamos a conversar. Uma coisa é certa: o debate desta noite (que eu só verei amanhã) será muito interessante.

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