Os debates so far

Concordo em geral com as apreciações de Nuno Gouveia sobre os debates entre McCain e Obama:  têm sido repetições de ideias antigas (talvez com a excepção da ideia da compra das hipotecas por McCain, o que tem sido defendido por alguns até como alternativa ao plano Paulson), bastante enfadonhos e um empate, o que constitui uma vantagem para Obama sendo o front runner. Os debates das primárias foram muito mais interessantes. Penso que aqui têm culpa os candidatos – que jogam pelo seguro – e também os jornalistas, que confrontam pouco os candidatos com as suas próprias palavras e acções ou até com a realidade. Talvez o façam por medo de pressionarem mais um candidato do que outro e serem acusados de parcialidade (parece-me que neste campo os moderadores dos debates têm sido exemplares, e basta-me lembrar dos risinhos colegiais da Judite de Sousa com os comentários pseudo-espirituosos de Mário Soares no seu debate com Cavaco Silva e até o descuido de, à semelhança do seu candidato preferido, tratar no debate Cavaco por “ele” para não considerar tal feito pouco substantivo), mas nos presentes formatos quase poderiam ser substituídos por maquinetas onde se lessem as perguntas a que os candidatos devem responder.

Neste debate foi McCain a ser deselegante com Obama, tratando-o uma vez como “this” e outra como “that one” – algo que os media, ao contrário das interrupções constantes de Obama no debate anterior, já assinalaram. Estiveram ambos bem, Obama mais forte na parte económica e Mccain mais forte em tudo o resto. Obama lá se embrulhou novamente com os encontros sem pré-condições com o Irão e Coreia do Norte: desta vez até disse que os encontros eram para dizer aos inimigos que não podiam continuar com o presente rumo de acção e, se o fizessem, haveria consequências (algo que pelos vistos Irão e CN não sabem ser a posição dos EUA) e até reconheceu que tal estratégia poderia não ser eficaz! Mas esta embrulhada, num período de paranoia económica e com os media a ajudarem, passa despercebida. McCain mais uma vez usou do humor – algo que os americanos gostam sempre nos seus presidentes e candidatos a, sendo um povo que aprecia sempre a sua joke – e Obama continuou sério e compenetrado. As perguntas neste bedate foram ainda de menor qualidade do que as do debate anterior, o que também talvez seja causa da desilusão que foi o debate (apesar de tudo os jornalistas continuam mais sofisticados); vamos ver se no último debate são questionadas coisas novas.

O debate mais interessante foi o dos VPs, com uma vitória clara de Palin. Não só pelas baixas expectativas, como porque esteve à altura em todas as respostas e tem uma habilidade para comunicar com as pessoas fenomenal. Biden, apesar das incorrecções do costume, aguentou-se bem e não foi nem paternalista nem sexista. Mas não evitou que Sarah fosse novamente um sucesso.

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