Resultados de abuso de Carmex

Enquanto não me dirijo ao cabeleireiro com fins de me aperaltar para o acontecimento below mentioned, posso lembrar-vos que foi há um ano que comecei a escrever aqui na blogosfera como respeitável blogger (depois de uma aceitável carreira como comentadora no mesmo espaço virtual), estreando-me, inevitavelmente, com um texto sobre o Carmex Lip Balm. Entretanto fui convidada para escrever também no Atlântico – algo que me dá muito prazer, em primeiro lugar porque tem uma boa  proporção dos melhores bloggers de produção nacional, com especial destaque para o “homem do leme” Paulo Pinto Mascarenhas, e é um privilégio escrever junto de todos os Atlânticos; criaram-se relações blogosféricas muito simpáticas com alguns outros bloggers, e estas relações com pessoas que nunca vi não deixam de ser curiosas e reconfortantes; comentei e linkei o que me interessou, comoveu, divertiu ou escandalizou e os caros leitores foram conhecendo a minha religião (católica), as minhas ideias políticas (de direita e liberais), a minha futilidade militante e apreço pelo mundo Vogue, o meu gosto por sapatos, a minha tendência palavrosa (o meu marido diz que eu sou como os irlandeses a contar uma história, o que eu, de resto, não vejo como negativo) e o gosto pelo uso da ironia; aqui pelo Farmácia fui sendo vergonhosamente abandonada pelos restantes farmacêuticos (não se preocupem, que eu dou-lhes frequentemente umas vergastadas verbais pela falta de comparência) em prol de projectos políticos, novos empregos mais exigentes, dar resposta a clientes insuportáveis (os do Angiolax, então, são inqualificáveis!) ou, veja-se bem, tratar dos quatro filhos – e lá me vejo eu, única com militância suficiente para manter um blogue, a escrever apenas com as ajudas ocasionais (mas preciosas e com tanta qualidade que se pede mesmo por mais) da Sargenor e do Imodium; por fim, tive oportunidade de escrever, ser lida e ter o feed-back de quem me lê – e isso, na realidade, foi o que me deu mais satisfação.

Como é provável que não tenham lido o meu texto de estreia, aqui fica:

Uma História Americana

Nos anos trinta o Sr. Alfred Woelbing, um habilidoso que perdera o emprego nuns armazéns do Winscosin durante a Grande Depressão (e, isto não sei mas presumo, tinha mulher e filhos para alimentar, bem como uma pontinha de ambição e é sabido por todos os que viram os filmes do Frank Capra como era difícil encontrar um emprego naqueles tempos), dedicou-se a criar fórmulas de batons para tratar os lábios secos para ganhar dinheiro. E ganhou 2500 dólares quando vendeu uma primeira fórmula pouco tempo depois de a ter inventado e foi ganhando ao longo da sua vida dinheiro com a sua segunda fórmula de baton para o cieiro a que deu o nome de Carmex Lip Balm. O importante era mesmo o produto, que foi ganhando popularidade sem necessidade de publicidade, fabricado de forma semi-artesanal durante quase toda a vida (do Carmex e do seu criador) e vendido pela família quer a retalhistas quer aos consumidores finais. Desde 1937 que o Carmex  é vendido nos boiões de ¼ de onça (segundo a minha agenda, cerca de 7 gramas), e é ainda hoje esta a embalagem preferida pelos utilizadores de Carmex. Só nas últimas duas décadas se criaram uns tubos com Carmex em gel e um baton em stick – este último não conheço, mas o tubo é muito recomendável e o meu preferido para quando estou fora de casa. Uma curiosidade: o primeiro computador foi instalado no Carma Labs. em 1995. Os pharmacists americanos consideram o Carmex o melhor baton para o cieiro sucessivamente nos últimos anos. 

Encontrei-me com o Carmex numa daquelas viagens de longo curso da British Airways. Deram-me uma bolsinha com a venda para os olhos, os tampões para os ouvidos, umas meias peludas e, lá pelo meio das restantes ofertas, um baton para o cieiro desconhecido. Informo que sempre fui fã dos batons para o cieiro que as companhias aéreas costumam oferecer. Dada a tendência para secarem os lábios numa viagem de avião (e os olhos, e as mãos, e a pele do corpo em geral) os batons para hidratar os lábios oferecidos nestas ocasiões costumam ser muito melhores do que qualquer baton bem intencionado de qualquer marca de farmácia. Os oferecidos pela Cathay Pacific – para os amigos, só Cathay – eram especialmente apreciados por mim, e costumava vir carregada dessas viagens com os batons que me ofereciam e com os dos meus companheiros de viagem ainda não iniciados nestes segredos de hidratação labial. As expectativas ao experimentar o Carmex eram, portanto, grandes, e não fiquei desiludida. A primeira impressão do Carmex nos lábios é de conforto e frescura (será do mentol?) e a hidratação é excelente e perdura (será da lanolina?), ao contrário da maioria dos batons para o cieiro que ao fim de quinze minutos já nos fizeram esquecer que colocámos alguma coisa nos lábios. Como última virtude, fica muito bem debaixo de um baton colorido, dando-lhe o aspecto glossy agora tão desejado. Dessa viagem trouxe o meu boião e o do meu marido das viagens de ida e de volta; pouco depois voltei a viajar na BA e arrecadei mais uns Carmex. Preparava-me para investigar quem dos meus conhecidos ia aos Estados Unidos para encomendar uma remessa de Carmex quando os descobri à venda numa farmácia na Av. de Roma e comprei quase o todo o stock existente. Desde aí a venda de Carmex generalizou-se em Lisboa, para minha grande felicidade e lábios sedosos. A minha mãe já aderiu e o meu marido também – e o meu filho também, apesar de no caso dele ser mais um gosto por assustar os pais ao fingir que engole as tampas do Carmex em gel. Eu, pelo minha parte, tenho um Carmex na mesa de cabeceira, outro na carteira, outro na secretária, outro na pasta, outro no carro e uns de reserva para quando o meu filho esconde algum pela casa ou o meu marido mos surripia. 

(Se tiverem sorte, nos próximos dias escrevo sobre o melhor creme do mundo para as mãos).

(E agora que penso nisso, a minha simpatia pelos Estados Unidos ficou demonstrada logo de início, bem como a admiração pela vitalidade da economia americana.)

Esta entrada foi publicada em Vitaminas. ligação permanente.

12 respostas a Resultados de abuso de Carmex

  1. Parabéns,

    Sou um fiel leitor (quase) desde o inicio, e lamento que tenha sido “abandonada” pelos seus colegas. Mas nem por isso o blogue deixou de manter a qualidade a que nos habituou.

    Cumprimentos,

  2. Carmex diz:

    Obrigada, Nuno. O recíproco, como sabe, também é verdadeiro, agora mais no Eleições do que no Virtualidades, mas depois de Dezembro isso muda.

    Cumps.

  3. PR diz:

    Muitos parabéns, Carmex.

    Long live the Farmácia Central!

  4. Carmex diz:

    PR, obrigada.

  5. denise diz:

    Cara Carmex,
    Escrevo do Brasil e gostaria de fazer uma pergunta: nos dias atuais, encontra-se Carmex em qualquer farmácia em Lisboa?
    Meu marido estará por uma semana na cidade, em fevereiro de 2009, e minha filha – que é grande fã de Carmex – já pediu ao pai uma grande quantidade do produto em todas as suas versões. Grata

  6. Carmex diz:

    Denise, Que bom ter leitores transatlânticos aqui no blogue. Muito bem-vinda.

    Não há Carmex em todas as farmácias, apenas em algumas. Eu costumo comprar na Farmácia Belo na Av. de Roma, ou na Farmácia Dalva, na Av. Duque d´Ávila. Há, claro, em mais farmácias, é só uma questão de procurar. Se for necessário, quando o seu marido cá estiver, pode deixar um comentário cá no blogue a pedir ajuda e eu tento dar mais direccções.

  7. denise diz:

    obrigada pela resposta. já enviei ao meu marido os endereços das farmácias e caso ele tenha dificuldades, pedirei ajuda novamente.

  8. Marta diz:

    Ola!
    Venho por este meio perguntar se em Lisboa ainda vendem Carmex? É que na minha zona ha mais de meio ano que ando a correr as farmacias todas a procura do Carmex… É que eu e a minha mae so usamos este baton assim que sentimentos o bichinho do herpes colocamos como protecçao e é optimo!
    É tao bom que decidi pesquisar se foi retirado do mercado ou se ha algum problema com este baton mas ainda nao encontrei uma explicaçao para este subito desaparecimento das farmacias da minha cidade!
    Obrigada.

    • Maria João Marques diz:

      Marta, não lhe sei dizer em definitivo, mas de facto também tenho tido dificuldades em comprar o Carmex aqui em Lisboa. Dizem-me que está esgotado, que vem depois,… Sinceramente acho que é da crise económica, que obriga a uma gestão mais eficiente dos stocks, e estes produtos feitos fora de Portugal às vezes têm períodos de ruptura de stocks. Quando estava a amamentar, uns discos hiper-especiais espanhois de aquaterapia, de vez em quando também estavam esgotados.
      Vamos esperar que venha um apovisionamento depressa 🙂

  9. Inês diz:

    Olá! O seu post interessou-me muito!
    Será que me podia dizer qual é a média de preços do carmex?
    Obrigada 🙂

  10. Inês, já não lhe sei dizer. O carmex há uns tempos que não é vendido em Portugal e já não me recordo dos preços. Estavam na média dos preços dos batons de farmácia, segundo me recordo.

  11. m j diz:

    Podem comprar Carmex no estrangeiro. Muito bom e muito barato. Da últime vez que tentei comprar em Portugal, disseram-me que estava descontinuado e impingiram-me um caríssimo que não vale nada

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s