Novas amizades literárias

Alguém me explica, me justifica – e se desculpa, convenientemente, em detalhe, de forma convincente, arrependida e prometendo não tornar a fazer – porque nunca fui informada do humor existente na escrita de Edith Wharton? Achava eu que ela era um Henry James de saias, com temática ligeiramente diferente, ideia reforçada pelo filme A Idade da Inocência com o Daniel Day-Lewis e a Michelle Pfeiffer (que sim, tem crítica à sociedade americana de fins de oitocentos em abundância, mas é uma crítica melancólica, nunca divertida ou espirituosa), e afinal eu descubro que a EW usa um humor afinado, insidioso, subtil e, em resultado, sublime?! Eu gosto de Henry James. Não sendo um daqueles escritores que não se pode passar a vida sem ler, é interessante, e sobretudo pela sua oposição entre a moralidade americana e a decadência de valores europeus (tema curioso, vindo de quem escolheu viver na Europa) e ascendente directo da diferença cultural que se nota presentemente (e notará) entre os dois lados do Atlântico (os livros sem este combate civilizacional não são tão recomendáveis, na minha opinião; o The Heiress, por exemplo, é um livro muito pouco excepcional). Mas pensando eu que EW era um sucedâneo de HJ, sempre preferi ir ao original, e tinha lá em casa uma edição do The Age of Innocence verdinha da Penguin (não é a da fotografia; esta capa pareceu-me mais ilustrativa do que uma mancha verde) há nem sei quanto tempo e ainda não lhe havia pegado. E agora, que peguei e comecei a ler, nem acredito no que tenho estado a perder em todos estes anos de leitora compulsiva. Quem se responsabiliza?!

Wharton retrata a alta-sociedade novaiorquina, old money, conservadora, formalista com mestria, numa escrita aguçada, certeira e espirituosa. O que mais se pode pedir de um livro? Corram a comprar!

Esta entrada foi publicada em Vitaminas. ligação permanente.

4 respostas a Novas amizades literárias

  1. Fernando Antolin diz:

    Confesso a minha ignorância em relação à autora que refere,eu que tanto gosto de ler…vergonha…
    Em compensação,um dos meus favoritos é o espanhol Miguel Delibes,de quem Ballester dizia ser,com Camilo Cela,um dos dois maiores escritores espanhóis vivos(foi há anos,Delibes ainda é vivo),sendo Miguel Delibes um ilustre desconhecido cá na terrinha.Devo ter todos os seus livros,que fui comprando por Espanha e na já “defunta” Livraria Alcalá,ao Chiado.Assim estamos,aqui de serviço na Portela,esperando o fim de semana de folga !!!! Finalmente!!!!! Há que aguentar até à meia-noite…

  2. Carmex diz:

    Fernando, não conheço Miguel Delibes, mas da próxima vez que for a Madrid vou espreitá-lo nas livrarias. Já o Gonzalo Torrente Ballester é também um preferido.

    Bom fim-de-semana!

  3. fernando antolin diz:

    Só mais uma sugestão espanholista: Álvaro Cunqueiro.Delibes escreveu um livro chamado Señora de Rojo sobre fondo Gris,dedicado à sua Mulher Angeles,pois como dizia o José Régio,dói nos peitos sufocados…

  4. Carmex diz:

    Nota tomada!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s