Desensino

Nestas polémicas com a educação o que preocupa é que todas as partes são más. Os alunos querem balda, claro, mas faz parte da imaturidade expectável e não se lhes deve levar a mal por isso (já os pais que os deixam fazer manifestações a favor do laxismo mereceriam um correctivo). O Ministério da Educação é uma organização mastodôntica com o objectivo de gerir professores e equipamentos escolares e de dar guarida a uma troupe de pedagogos vanguardistas que a cada par de anos acham que devem reinventar o ensino (apesar de eu não ver nada de vicioso com a formação que terminei há 17 anos, do que oiço, agora os educandos têm disciplinas e anos totalmente diferentes); é demasiado grande, engana-se demasiadas vezes e tudo é sempre encoberto; o interesse dos alunos é a última das preocupações e, numa alínea deste item, a educação dos alunos é absolutamente irrelevante (interessa, sobretudo, manter os potenciais delinquentes dentro das escolas e não reprovar ninguém para não ficarmos mal nas estatísticas). Os professores (há, claro, excepções; e sim, são excepções; se fossem a maioria não seguiriam em bloco comportamentos profundamente lesivos para os alunos) protestam, mas depressa perdem a razão. A avaliação proposta pelo ME é, como se esperaria, mal feita e têm os professores razão para protestar e manifestarem-se – mas não me venham com a história de não estarem contra a avaliação, que os professores não são diferentes dos outros mortais e claro que um mau professor, preguiçoso e sem paciência para os alunos, está tão a favor da avaliação como eu da bomba nuclear no Irão. Contudo, qualquer professor que prejudique a aprendizagem e avaliação de alunos enquanto procura beneficiar a sua carreira não é digno da profissão que exerce e não merece a solidariedade da sociedade. As notícias de que os professores se preparam para não dar notas no fim do primeiro período são vergonhosas; os professores devem ter os alunos como prioridade, mesmo quando o ME não os tem.

Nesta notícia do DN, o PM mostra uma vez mais que governa sem sequer saber as leis que balizam o seu executivo. É por coisas destas que o caso dos cigarros no avião foi significativo.

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2 respostas a Desensino

  1. A. R diz:

    perguiçoso –> preguiçoso. De resto de acordo

  2. Carmex diz:

    AR, pois obrigada, e segue-se a correcção.

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