As dificuldades com os banqueiros no fundo são dificuldades com a ciência económica

Vi hoje – e só porque fiquei parada de manhã num semáforo em frente ao objecto que vou referir – o cartaz do BE das ‘pessoas’ versus os ‘banqueiros’. O racismo social do BE não surpreende, por isso gostaria de me debruçar sobre outra parte do cartaz, aquela que diz “os juros altos são um roubo”. Sendo a taxa de juro composta pela taxa de inflacção (a desvalorização do dinheiro causada pela emissão de moeda pelo banco central que origina a existência de mais moeda para a mesm a quantidade de produto, parte que é decidida pelo BCE, que apesar do infame nome ‘banco’ é uma instituição da UE) e pela taxa de juro propriamente dita, que se destina a pagar o facto de uma pessoa decidir poupar agora em vez de consumir (ou, no oposto, é o preço que uma pessoa paga por consumir agora o correspondente aos recursos financeiros que só vai obter no futuro), e que a Euribor, no seu ponto alto, andava pelo 5 e qualquer coisa por cento (incluindo a taxa de inflacção que compõe a taxa de juro), que nos últimos anos é reconhecido que os bancos centrais seguiram uma política de taxas de juro baixas que incentivaram os particulares a endividarem-se para consumirem e a adquirirem bens (casas, por exemplo) excessivamnete caras para o que podiam pagar, a minha dúvida quanto ao cartaz do BE é: exactamente o que é para o BE “juros altos”? a partir de que valor?

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4 respostas a As dificuldades com os banqueiros no fundo são dificuldades com a ciência económica

  1. PR diz:

    Julgo que, para o BE, juros altos são todos aqueles acima dos 0,00%.

    O grande problema é que o BE vive numa ilusão infindável de que os Bancos são instituições de caridade, que devem dar dinheiro a quem lhes pede, sem exigirem nada em troca.

    Quanto ao cartaz, também vi um parecido, na Praça de Espanha, que diz que o BE está com as pessoas, e contra os banqueiros. O que não deixa de ser curioso, já que os banqueiros também são pessoas, por estranho que isso pareça aos trostskistas e outros “istas” que compõem a manta de retalhos que é o BE.

  2. Carmex diz:

    Bem, podemos presumir que para o BE bancos privados são algo de pernicioso. O que tem piada é que não seria de estranhar vir o BE depois disto falar da necessidade de poupança pelos particulares e dos problemas do endividamente excessivo. E sem conseguirem ver as contradições.

  3. O BE percebe lá alguma coisa de política económica. De vez em quando acertam alguma por razões colaterais, aquilo é gente que afirma defender a população, em especial as classes menos favorecidas, os trabalhadores, mas nunca criaram qualquer posto de trabalho. Os poucos empregos que dão (o caso da mulher a dias de F.Louçã é paradigmático) têm menos condições do que qualquer outro por eles criticado. Sim, também critico o BCE, mas por criar moeda (decisão política cuja responsabildade não lhe pertence), ter uma política artificial de juro que penaliza a poupança, e muito contribuiu para a crise que atravessamos, mas que tanto jeito deu a políticos Europa fora, e já agora EUA.

  4. Carmex diz:

    António, pois. Pela minha experiência, claro que há excepções mas esta é a regra, as pessoas de esquerda são bastantes mais esquivas quanto à legislação laboral do que as de direita, não entendo porquê. São trabalhadores sem contrato, faltas de pagamento à SS, recibos verdes a torto e a direito, isenções de horáio não pagas,… Isto ao mesmo tempo que se escandalizam com qualquer tentativa de flexibilização da legislação laboral. Doideiras.

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