Bebé Moshe

Não consigo tirar as imagens – e as palavras – da cabeça. Já se sabe que convivemos bem com o sofrimento alheio no abstracto (claro, incomoda, escanadaliza, mas não nos faz sofrer), mas que colocando-lhe uma cara, personalizando-o, esse sofrimento alheio torna-se também o nosso sofrimento. Pelo menos é assim para mim, que (agora para os conhecidos do Eneagrama) tenho um tipo de personalidade 4, que é chamado, entre outras coisas, the empathetic; para o bem ou para o mal, tenho grande facilidade em sentir as emoções das outras pessoas (o que é um bocado esquizofrénico, porque podem ser de sentido contrário às minhas próprias emoções, mas é assim mesmo). A CNN ontem à noite resolveu mostrar imagens de um bebé (entre um ano e meio e dois anos e meio) que sobreviveu aos ataques a Nariman House, ataque em que os pais morreram. Imagens em que o bebé chorava desconsolado ao colo de alguém (conhecido? desconhecido?) chamando “ima” que o Wolf Blitzer fez o favor de dizer ser “mãe” em hebraico. E pronto, para mim aquele bebé (de idade não muito distante da do meu filho), que sobreviveu a um susto tremendo que não entendeu e que agora chama a mãe, de quem precisa para se reconfortar e acalmar e acreditar que o susto que não entendeu já passou e não vai alterar a rotina da sua vida, que não percebe, e se angustia, por que razão a mãe não lhe responde, que vai crescer sem aquela coisa doce que é o amor e o mimo e a presença da mãe, tornou-se a imagem dos ataques a Mumbai.

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