A televisão e eu

Vou pegar neste post do PR do Intromissões e dissertar também um bocadinho sobre série televisivas. Nenhuma com a qualidade, o charme, o carisma de um Pride and Prejudice (1995 da BBC), um West Wing (que ainda passa no AXN, mas já foi visto em dvd faz muuuito tempo), um Gilmore Girls, um Rome, um Boston Legal (não obstante de nesta cansarem as politiquices anti-Bush; vamos ver se com a vitória de Obama a série ganha mais ânimo, que no último episódio até o No Children Left Behind Act foi atacado); refiro-me àquelas séries que eu vejo quando estão a dar na televisão e eu estou demasiado cansada para me levantar e ir buscar o meu livro do momento ou até esticar a mão para apanhar o comando e mudar de canal. Duas têm-me surpreendido nos últimos tempos: o CSI (geralmente calha ver o NY ou Miami) e o Cold Cases. O motivo da supresa é o seguinte: a boa-vontade com que os criminosos confessam todos os pormenores do crime hediondo que cometeram lá para o minuto 35 de cada episódio. Isto é que é poupar trabalho aos DAs. Por vezes as confissões são mesmo motivadas pela vontade genuína de os criminosos ajudarem os polícias que os investigam, já que estes candidamente os chegam a informar que não têm caso sem confissão. Então quando há vários criminosos e a única forma de se chegar a uma acusação é a confissão de um deles, quando os juntam e tal impasse lhes é informado, a bondade intrínseca dos criminosos (que horas antes ou anos antes esventraram, violaram, mataram com requintes de crueldade as suas inocentes vítimas) é revelada: em vez de ficarem todos no grupo calados e não construírem o caso à polícia, decidem sempre acusar-se a si próprios e aos outros. É verdadeiramente surpreendente e eu faço questão de não deixar de me surpreender com estes argumentistas; claro que haveria mais incongruências nas histórias a apontar, mas o caso das confissões espontâneas é inexcedivelmente enternecedor e, claro, muito plausível nos criminosos mais abomináveis.

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2 respostas a A televisão e eu

  1. PR diz:

    Carmex, em primeiro lugar, muito obrigado pela referência.

    Quanto ao seu texto, poderá isto ser a aplicação do célebre “Dilema do Prisioneiro”, que tanto me atormentou em aulas de Economia Pública?

  2. Carmex diz:

    Faz lembrar teoria de jogos, não é? (Eu acho que dei isto em Micro, não em EP). Mas o que tem piada é que nas séries se colocam os vários cúmplices na mesma sala e lhes é dito para confessarem; se tivessem tido algumas aulinhas de economia, os argumentistas pelo menos colocavam os cúmplices em salas diferentes e atormentavam-nos com uma confissão dos restantes. (No Lei e Ordem, com um argumento um bocadinho mais plausível, é assim que fazem).

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