Por minha culpa, minha tão grande culpa

É para mim incompreensível esta mania ocidental de culpar a própria sociedade pelos erros alheios. Claro que com Bush isto foi levado a níveis patológicos, mas a verdade é que este sentimento de auto-diabolização vem da era pré-Bush. Depois do 11 de Setembro, meses depois da posse de Bush e quando este ainda só tinha defendido que os Estados Unidos deviam tratar dos seus problemas e deixar que o resto do mundo tratasse dos deles (ou seja, pouco intervencionista), já muito culpavam os ataques às Twin Towers com a arrogância americana, o seu poderio militar, o embargo a Cuba, a vitória da Guerra Fria, enfim, o facto de persistir como a única super-potência. (Sim, o ódio aos Estados Unidos vem de longe e só procurava algo onde materializar-se; da mesma forma, a adoração por Obama nada tem a ver com admiração pelos EUA, mas sim por aquilo que é de facto anti-americano em Obama e aquilo que pensam, erradamente, que Obama vai fazer parecer os EUA com o shangri-lá socialista ou socializante por que anseiam).

Obama, é claro, entronca nesta corrente que gosta de se culpar pelas culpas de terceiros. É urgente que se diga que a culpa das desgraças do mundo muçulmano são dos muçulmanos. A radicalidade crescente neste espaço não é instigada por fora mas pelos próprios, que resolvem canalizar os seus ódios e insucessos para a violência terrorista. A pobreza das suas sociedades não se deve ao ocidente mas sim aos líderes incapazes que têm produzido que, para esconder insucessos governativos, têm levado as populações a contentarem-se com sentimentos anti-ocidentais. Que os muçulmanos aceitem isto não é novamente culpa do ocidente mas demérito próprio. E não vale a pena virem com a tal minoria que é radical, porque os outros são cordatos, porque o que passa por cordato no mundo muçulmano corresponde a ultra-conservador e perigoso no meu mundo. Não me recordo de denúncias dos muçulmanos “moderados” das barbáries dos radicais, como por exemplo na violência que se seguiu às caricaturas de Maomé ou no assassinato do Theo van Gogh.

Obama escolheu ir por outro caminho. Coitadinhos do muçulmanos, que não tinham a atenção devida dos EUA. A culpa é dos EUA, que tem sido um arrogant bastard. Claro que Obama sempre revelou que se considera um homem providencial, que consegue pelo charme e pela sua capacidade titânica mudar o mundo – o que é porventura a faceta mais perigosa em Obama, porque o homem evidentemente não tem noção dos seus limites – mas de facto é insultuoso (até para mim, que faço parte deste espaço euro-americano que é alvo dos terroristas islâmicos) que Obama clareie desta forma despudorada as culpas islâmicas pelas suas agruras.

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