Vergonhas – que levam a violências

“One in seven people believe it is acceptable in some circumstances for a man to hit his wife or girlfriend if she is dressed in “sexy or revealing clothes in public”, according to the findings of a survey released today.

A similar number believed that it was all right for a man to slap his wife or girlfriend if she is “nagging or constantly moaning at him”.

The findings of the poll, conducted for the Home Office, also disclosed about a quarter of people believe that wearing sexy or revealing clothing should lead to a woman being held partly responsible for being raped or sexually assaulted.”

Este artigo do Times é arrepiante. Mas deixa-nos perceber as razões de absurdos como a sugestão de que partes da sharia pudessem ser aplicadas pelo enquadramento legal britânico às comunidades muçulmanas – o mesmo é dizer às mulheres muçulmanas -, de tolerâncias absolutamente excessivas e criminosas com o tratamento a que são sujeitas as mulheres e raparigas e crianças do sexo feminino das comunidades muçulmanas na Europa, de aceitação que tantas mulheres, só por terem o azar de nascerem em culturas muçulmanas, não sejam cidadãs europeias com todos os direitos disponíveis para os demais. Porque – é disto que se trata – há quem concorde, no fundo, com a visão muçulmana do que devem ser os direitos das mulheres e do que é a condição feminina.

E este facto indecoroso não se esgota nos que pensam ser aceitável bater numa mulher porque ela está vestida de forma sexy (para quem?) ou porque ela é uma chata. Há os que, não batendo, recorrem ao sempre eficaz método passivo-agressivo. Desde os que não permitem que as suas respectivas usem certas roupas – não é preciso pensar em tops de decotes vincados; sei de casos em que uns inofensivos sapatos de uma cor mais ousada são motivo para torcer o nariz – aos que, permitindo (são uns liberais!) torcem o nariz a que a sua mulher/namorada use maquilhagem ou as ditas roupas mais reveladoras e destapam o seu pote de fel nos comentários que fazem. Atenção, eu acho que os homens têm todo o direito de gostarem ou não do que uma mulher veste e escolherem uma mulher que se veste com o recato que julgam adequado; eu também objecto muito a certos tipos de roupa ou a alguns acessórios nos homens; as pessoas também se escolhem pelo que vestem; o que nunca me passaria pela cabeça era proibir ou condicionar as escolhas de quem eu gosto (o que inclui gostar do seu gosto por roupa/acessórios/maquilhagem). Há homens, no entanto, que gostam de determinar o que as suas mulherzinhas vestem (geralmente não se ficam pela aparência física, também se dedicam ao que fazem, ao que lêem,…) – no fundo, gostam de determinar o que elas são.

A culpa de haver homens assim não é só dos próprios. As mulheres que os aturam e se vergam aos seus desejos também são culpadas. É que aquelas que tiveram a sorte de nascer em sociedades livres têm a obrigação de não aturar machistas. E de lhes dar umas lições.

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