É por estas e por outras que Alberto Gonçalves é um grande colunista

“Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu “progressismo” com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente “modernos”, “racionais” e, vamos lá, superiores.

É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica.

Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: “O preservativo é falível”.Num ápice, as caixas de comentários on line encheram- -se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.”

Dias Contados, no DN

Não percam o resto sobre o animado tema “o preservativo e África”, e também as partes referentes à entrevista do nosso grande líder ou a essa encenação circense que foi a conferência da ONU contra o racismo.

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Uma resposta a É por estas e por outras que Alberto Gonçalves é um grande colunista

  1. adília diz:

    As pessoas que criticam as opiniões da Igreja, pelo menos algumas nas quais eu me incluo, fazem-no não porque desprezem essas opiniões, mas bem pelo contrário, porque lhes reconhecem o devido valor. Portanto começa logo aqui o equívoco, um equívoco lamentável que só posso atribuir a má fé ou a falta de discernimento.
    Todos sabemos que a Igreja tem uma tribuna para expor essas opiniões e que essa tribuna, dados os condicionalismos em que vivemos – só uma escassa minoria da população é ateia, tem um enorme poder amplificador.
    Dito isto, é verdade que o preservativo é falível, e depois? Sua excelência conhece um meio melhor? Claro que conhece, a abstinência sexual, mas se a esta até alguns eclesiásticos não respeitam, que esperar do comum dos mortais? Como disse Churchil a propósito da democracia, podemos nós dizer a propósito do preservativo: é mau, mas dos meios conhecidos é o melhor possível, e é isto que a Igreja não quer reconhecer porque continua presa a princípios abstractos que a prática já se encarregou de desmentir hà muito tempo.

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