Coisas que se vão vendo em dvd enquanto se amamenta 9

Foi depois do meu filho mais velho nascer (e, em consequência, passar muito mais horas a ver televisão do que costumava, durante a amamentação, colo para adormecer e outras actividades relacionadas) que comecei a ver as Gilmore Girls (com uma tradução para português parva que já esqueci). Pelas mesmas razões regressei, agora às lides televisivas e às Gilmore Girls.

Não se deixem enganar: está longe de ser uma série de culto. Há muitas voltas do argumento que se explicam somente pela necessidade de continuar a série à volta dos mesmos temas (o insucesso amoroso da gilmore-girl-mãe é um deles, tendo os seus casos românticos fins e reviravoltas que não são nada se não previsíveis), a relação entre a mãe e a filha que é o epicentro da série é utópica e, por isso, desinteressante (a mãe é primeiro amiga do que mãe, mas tem uma imensa autoridade sobre a filha, e a filha apesar de ter uma vida com poucos limites é a pessoa mais sensata do mundo, e por aí adiante com outras maravilhas), as duas personagens principais são muito formatadas pelo ‘familiarmente progessista correcto’ americano,…

Mas também não desesperem: a série é muito divertida e vale a pena ver. Tem um conjunto de personagens engraçadas e peculiares: os pais/avós das Gilmore, antíteses da filha, certinhos, ricos (o que resulta também nas partes mais suculentas dos episódios, com todos os ressentimentos, mal-entendidos, desconfianças existentes entre pais e filha); o Luke, dono do café e parte importante da vida das protagonistas (o Luke e o café); os habitantes da cidadezinha do Connecticut onde vivem as Gilmore, destacando eu o Kirk (rapaz dos sete ofícios, sem carreira, sem namorada e a quem a vida corre geralmente mal) e o Taylor (o town magistrate, homem empreendedor e participativo, que sonha em ser dono de Stars Hollow e gosta de regular a vida dos outros); o namorado desadaptado e a amiga problemática do colégio posh da gilmore-filha. Os diálogos (porventura o melhor da série) sucedem-se vertiginosamente, espirituosos e com inúmeras referências à literatura, ao cinema, à política e à cultura pop. As várias actividades que os excêntricos moradores de Stars Hollow inventam e que impingem mesmo aos mais reticentes (de resto, uma minoria). Por fim, as reuniões da associação de moradores (ou outra instância equivalente, numa demonstração de subsidariedade e de democracia descentralizada que é, só por si, um regalo). Nestas, o mencionado Taylor geralmente incompatibiliza-se com outro qualquer residente, geralmente o Luke, a propósito de decisões como o que fazer para angariar fundos para restaurar a ponte do jardim, se se permite trovadores (e quantos) na cidade, se Luke deve ou não pintar o seu restaurante,… São reuniões animadas, de discussão franca e aberta e, sobretudo, divertidas. Lembrei-me delas no passado dia 2 no encontro do Instituto Sá Carneiro, com as reacções encaloradas às palavras do Miguel Morgado.

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