Bicos de Bunsen 2009 Acontecimento do Ano: Manifestações anti-Ahmadinejad no Irão

2009 foi um ano de acontecimento suculentos: a tomada de posse do primeiro presidente afro-americano nos Estados Unidos; as guerras do gás entre a Ucrânia e a Rússia, com a Europa a apanhar por tabela e a procura de uma crescente influência geo-estratégica da Rússia como pano de fundo; a crise económica e o seu uso como desculpa para uma ofensiva estatal em todo o mundo; a cimeira de Copenhaga e o Climagate; a primeira pandemia do século; o Tratado de Lisboa; aquela coisa esquisita nas Honduras, em que os golpistas ilegais pretendem uma democracia e o presidente eleito e deposto pretendia uma ditadura; o referendo suíço que baniu os minaretes; mesmo no fim do ano, o atentado terrorista falhado num avião da Delta; e mais uns quantos.

Contundo, na humilde opinião destes vossos farmacêuticos, o acontecimento do ano que merece o tão disputado Bico de Bunsen foi a reacção iraniana às eleições presidenciais de Junho, ganhas sabe-se lá com que falcatruas (e não se vai saber porque quem podia não estava interessado em investigar) pelo demente Ahmadinejad e perdidas por vários, entre os quais se destacou o ‘reformista’ Mir Houssein Mousavi.

As manifestações de indignação pelos resultados elitorais foram marcantes por várias razões. Porque a pantomina que alguns defendiam que rezava que o regime iraniano liderado por um ayatolah maluco era a escolha pacífica dos iranianos foi desmontada. Porque se clarificou – pela reacção violenta dos ‘vencedores’, que bateram, assassinaram, prenderam, torturaram, ameaçaram,… àqueles que se manifestavam contra Ahmadinejad – que esse regime, mesmo que ganhasse legitimamente eleições, era iníquo. Porque tornou indefensável (pelo menos para quem tem alguma vergonha) a defesa de Ahmadinejad pelos maluquinhos anti-americanos ou anti-Bush que não se incomodavam com o que é a teocracia iraniana desde que esta desafiasse os EUA (ou, pelo menos, desafiasse Bush). Pela presença de mulheres (e giras, e produzidas e vaidosas, como quaisquer mulheres – ocidentais ou de outras paragens) nas manifestações, matando também o mito de que as mulheres muçulmanas apreciam ver os seus direitos cerceados pelos piedosos muçulmanos de género masculino. Porque deu cabo da estratégia de Obama para o Irão (que se pode resumir por appeasement de Ahmadinejad) que levaria ao fortalecimento do poder regional do Irão e que serviria para legitimar aquela teocracia (de resto é conhecido o enfado com que foram encaradas na Casa Branca estas manifestações iranianas que estragaram o grande plano do Nobel da Paz). Porque mostrou que a intransigência de Bush em não aceitar como interlocutor Ahmadinehad deu frutos criando resistência interna no Irão. Sobretudo porque, vindo mais tarde ou menos, esta contestação no Irão – que vive por agora os próximos capítulos – contribuíu para uma futura mudança no regime iraniano.

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