Bicos de Bunsen 2009 Personalidade do Ano: Bento XVI

A que propósito a escolha de Bento XVI para personalidade do ano 2009?

Em primeiríssimo lugar, pela Caritas in veritate. Nesta encíclica o Papa acrescenta à fórmula introdutória tradicional utilizada nas duas predecessoras (Deus caritas est – 2005, Spe salvi – 2007) “aos Bispos, aos Presbíteros e aos Diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos” a expressão “e a todos os homens de boa vontade”, porque efectivamente com este texto a doutrina social da Igreja é oferecida a toda a Humanidade, aos crentes e não crentes. E dá-nos, almejando a justiça e o bem comum, uma visão concreta da importância do amor na verdade. É uma encíclica magistral e que, nas palavras do Cardeal Bertone, vem derrubar definitivamente (se há algo que possamos considerar definitivo nesta vida) a “dicotomia já obsoleta entre a esfera do económico e a esfera do social”. É de leitura e de reflexão imprescindível.

Mas se vivemos num mundo em constante conflito, aqui Bento XVI não deixou apenas palavras, mas actos. Num autêntico exemplo para as nações do mundo de (re)conciliação, levanta a excomunhão aos Bispos da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X ordenados por Marcel Lefebvre, bem como institui ordinariatos pessoais para anglicanos que desejam entrar na comunhão com a Igreja Católica. Caiem assim as acusações habituais de que Bento XVI instiga e promove uma Igreja demasiado tradicionalista e conservadora, intolerante e hermética.

Outro sinal da abertura do Vaticano é a mudança que tem sido operada, por vontade pessoal de Sua Santidade, no L’Osservatore  Romano (jornal oficioso da Santa Sé), e aqui remeto os leitores para um artigo publicado no The Guardian. Enquanto alguns por esse mundo fora procuram controlar os media, Bento XVI tem feito exactamente o contrário.

Faz uma viagem pastoral importante a África (Camarões e Angola), trazendo uma nova esperança para o continente martirizado pela fome e pela guerra, estimulando a continuação e mesmo o fortalecimento das inúmeras obras missionárias, e insiste na atenção que tem de ser dada a África em carta dirigida a Gordon Brown por ocasião da reunião do G20 em Londres.

Tanta coisa que podia ser dita, mas não cabe aqui, faltando somente a razão patriótica da escolha: Bento XVI anunciou a sua vinda a Portugal, em Maio de 2010. E num país maioritariamente católico, pouco existe que tenha tanta importância como uma visita do sucessor de Pedro.

(Fonte da imagem)

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