O Estranho Caso do Livro Perdido

Ao contrário da Joana (autora do soberbo Hole Horror) não costumo passear-me com os livros que leio em cada momento. Ando pouco de transportes públicos e quando sei que vou ter períodos de espera em algum sítio (consultórios médicos são o paradigma disto) prefiro levar livros levezinhos com textos pequenos: Noblesse Oblige de Nancy Mitford, Ficções de Borges, histórias curtas do Jeeves de P. G. Wodehouse ou outras coisas de tamanho e peso semelhante. Mas também já me aconteceu perder um livro, e na pior das circunstâncias. Depois de uns dias de férias em Miami e nas cercanias com o dearest husband, fui para a Cidade do México em trabalho enquanto o dearest husband regressava a Lisboa. No aeroporto, já de malas despachadas, descubro que havia deixado o livro na esplanada do hotel, onde tinha adiantado a leitura enquanto esperava a hora de apanhar o taxi para o aeroporto. Houve um aperto no coração pela perda do objecto-livro (eu gosto de manusear os livros, de os guardar, de lhes voltar a tocar, de ver as marcas da leitura nas lombadas) e pela interrupção abrupta do prazer da leitura daquele livro específico. Coisas que ficaram bem marcadas na minha memória apesar de já não me recordar que livro perdi. Mas fiz por me resignar e dediquei-me ao prazer de anticipar a compra de um ou dois livros, para substituir o livro pródigo, numa livraria do aeroporto. Afinal se há coisa que eu gosto é comprar livros enquanto espero a hora de embarque. Londres (particularmente Heathrow) tem boas livrarias, em Frankfurt encontram-se umas coisas interessantes e já passei muitos agradáveis vôos overnight lendo as últimas compras do aeroporto de Hong Kong. A desilusão foi amarga. Naquele terminal do aeroporto de Miami havia um quiosque de jornais (já com poucos jornais) e guloseimas que vendia meia dúzia de livros daqueles escritores de massas. Lá comprei, para não passar as horas da viagem a olhar para o ar, um ou dois jornais que ainda não lera e uma qualquer mistela em forma de livro que nem chegou a sair do avião. Garanto-vos: um pesadelo de viagem.

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