A cigana do A6

Hoje resolvi fazer companhia à minha cara-metade ao almoço.

Ao procurar um lugar para estacionar na zona da Av. da Liberdade, dei de caras com uma senhora de etnia cigana que, juntamente com o respectivo esposo, vendia material contrafeito (neste caso eram carteiras de senhora da Louis Vuitton e da D&G) na esquina da R. Rosa Araújo com a rua do B.P.P. (dou-lhes desde já o mérito de, se é para ir fazer trafulhices, escolherem um sítio onde ao menos apanham nem que seja por osmose os ensinamentos daquilo que resta de grandes méstres nessa arte).

Enquanto passava por eles, o sentido de justiça fez-me repudiar a venda deste material contrafeito.

Já quando estacionava, a inveja fez-me desdenhar de alguém que, com grande probabilidade, além de não trabalhar nem pagar impostos vive numa casa que foi paga com os meus e que ainda por cima usava como armazém o porta bagagens do seu Audi A6…

Demos agora todos as graças às políticas sociais da esquerda.

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4 respostas a A cigana do A6

  1. Maria João Marques diz:

    Muito bom post, mas com uma grande injustiça, Zé : é certo, não pagam impostos, provavelmente vivem em casa de habitação social da qual se recusam a pagar renda, têm audi A6, também com probabilidade recebem o RSI (esqueceste-te desta), mas lá que trabalham vendendo carteiras contrafeitas, lá isso trabalham 🙂

  2. Paulo Mestre diz:

    Não há muito saíu na imprensa a classificação do nível de EFICIÊNCIA das universidades europeias. Das portuguesas, já não lembro exactamente qual era mas estava lá por baixo junto da Bulgária e outros que não lembro. Salvo erro era a 3ª ou 4ª posição a contar do fim. Pois anda-me a fazer espécie NUNCA ter visto essa notícia comentada na blogoesfera, sempre tão lesta a apontar as (evidentes) poucas competências das classes populares portuguesas.

  3. Paulo Mestre diz:

    E já agora também lembro o seguinte: há uns tempos li na 1ª página em GRANDE PARANGONA de um jornal diário que o “atraso português” se devia às baixas qualificações dos trabalhadores. Poucos meses depois numa página INTERIOR de um semanário económico, num cantinho DISCRETO, o seguinte:« organismo estrangeiro(não lembro qual)conclui que o atraso português se deve à fraca qualidade das elites empresariais nacionais.

    • imodium diz:

      Claramente que a minha universidade devia ser uma das que ficou abaixo das bulgaras, porque ainda não percebi a relação entre o facto de alguém se dedicar à economia paralela e a fraqueza das elites empresariais nacionais…
      Provavelmente a expressão “a cigana” levou a que tivesse tocado num qualquer arreigado complexo discriminatório (ou discriminado) mas tratava-se apenas da constatação de um facto. Podia agora intrigar-me se isso não seria indício de um trauma social ou começar a teorizar sobre outros dos nossos traumas sociais, mas isso ia obrigar-nos a recuar demasiado no tempo e corriamos o risco de voltar à discussão da descolonização pela milionésima vez sem chegar a conclusão nenhuma (a perder tempo, para ser mais concreto).
      O texto é sobre alguém que está a contribuir negativamente para o desenvolvimento do país ao praticar actividades ilícitas e fugir aos impostos, quando tem (ela e o marido) muito bom corpo para ir trabalhar e pagar impostos como os outros que trabalham por conta de outrém. É também sobre a nossa permissividade a este tipo de comportamentos, onde queiramos quer não a esquerda tem tido um papel importante ao exacerbar o papel do estado social, muitas vezes sem preocupações de equidade e muito menos de eficiência na redistribiução.
      Já agora, a não ser que seja um dos empresários que critica (e que presumo com o argumento, e com razão, de não criarem riqueza e também fugirem aos impostos), não percebo o seu apoio a esta actividade, mas isso deve ser porque a sua é uma das universidades que saiu nessa tal lista enquanto a minha não.

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