The End of the Universe as we know it (and I don`t feel fine)

Ainda sobre os resultados das eleições no PSD, este post do Pedro Magalhães constitui o melhor comentário político  que me lembro de ter visto, desde há muito tempo, na blogosfera (vejam também o vídeo do Lewis Black).

Mas o que me preocupa mais no partido do qual sou simpatizante e no país é que possamos estar perante o fecho de um círculo relativamente a uma nova forma de fazer política que fez escola com o infeliz sucesso eleitoral socrático. E como todas as inovações, é também de temer um aperfeiçoamento, versão 2.0 do processo de abrantização por que passou a comunicação social nos últimos cinco anos.

Sejamos claros: a partir de agora,  não será apenas o partido do governo a ter a sua central de propaganda, mas também o partido que mais criticou nos últimos anos a governamentalização dos “media” a seguir o mesmo caminho e a tentar profissionalizar-se no controleirismo do que se escreve e publica na blogosfera. A futura discussão pública ameaça assim tornar-se uma espécie de competição entre Dupond e Dupont, em que as infelizes personagens de Hergé surgem afinal como gémeos malignos numa forma muito particular de fazer política e controlar a informação e opinião publicadas.

Os truques, aliás, são sensivelmente os mesmos. Também PPC tem os seus apoiantes em posições de “doentia independência” (vejam lá, nem sequer são militantes do partido), disseminados por vários órgãos de comunicação social, a marcação dos adversários também se faz taco a taco perante qualquer tipo de dissonância e o duplo pensar e escrever também se verifica relativamente à questão da unidade de partido, perante o trauliteirismo de um Nogueira Leite vs. a preocupação muito legitimamente demonstrada por militantes do partido em relação ao novo líder. Perante isto o que entender do esforço de PPC em unir as pontas do partido, tido como um excelente sinal pela maioria de comentadores profissionais?  Razoavelmente que também isso constitui truque já visto, inserido numa estratégia good cop / bad cop, para o reconhecimento da qual nos basta lembrar as entrevistas de Nogueira Leite e os posts que têm vindo a ser publicados pelos apoiantes de Passos Coelho nos últimos tempos.

Perante esta nova situação política – e descontado que seja o carácter prematuro, ainda que eventualmente premonitório, destas considerações – o que devem fazer as pessoas sensatas do PSD? Simples. Não colocar de lado a necessidade eventual e futura de alertar para esta realidade, por muito que isso lhes valha acusações de traição partidária por parte dos “doentiamente independentes”.

Neste âmbito, que Rangel e Aguiar Branco se protejam afigura-se perfeitamente compreensível e aceitável numa lógica de preservação, não só da necessidade de futuras candidaturas, como também de uma imagem institucional de união do partido; que outros, mais afastados desse tipo de preocupações, se calem por amor à camisola ou por qualquer tipo de auto-censura protectora de uma unidade “de fachada”, é que não será compreensível. Liberdade é sempre liberdade, sem necessidade de justificações adicionais.

Adenda: nem de propósito, o João Villalobos, que, segundo palavras do próprio, não é um pássaro, como também não é um avião, nem, muito menos, o super-homem, mas apenas – isso boa, adivinhei! – um  cidadão preocupado, doentiamente independente como o outro, mas farto, saturado e exausto com as quezílias internas do PSD, parece que me leu. E  em tom de confissão íntima conta-nos que Passos Coelho devia ser canonizado pela mão que estendeu aos derrotados das directas do PSD. E que, se fosse  ele, Villalobos, pecador, o líder do partido, já tinha corrido todos à vassourada. Todos, quem? Ora todos aqueles que poderiam ser identificados de mil e uma maneiras por psiquiatras e psicanalistas (leia-se os que defenderam Ferreira Leite). E é desta forma que o bom do Villalobos ofereceu a prova dos nove deste meu post. Agradeço-lhe, bem como ao outro “independente” (risos) que logo apelidou a prosa do Villalobos de “análise brilhante” (sic). Dizem que a história se repete como farsa, mas, para já, parece-me que os abrantes antigos têm mais piada.

Nota: Começo neste preciso momento a escrever na Farmácia Central a convite dos seus autores e, em especial, da Maria João Marques, uma das raras pessoas que admiro na blogosfera. Haverá tempo, espero eu, para posts mais felizes, em particular, sobre música, que possam abastecer o stock desta farmácia nesse domínio.

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Sobre JB

Jurista. Boavisteiro. Melómano. That`s about it.
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4 respostas a The End of the Universe as we know it (and I don`t feel fine)

  1. ventilan diz:

    Bem vindo!

  2. JB diz:

    Caro André,

    Obrigado.:)

  3. Maria João Marques diz:

    Zé, muito bom post de entrada! Bem-vindo!

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