O PSD e uma nova cultura política

Para desenvolver este tema vou pegar num filme que revi na semana passada, o Jerry Maguire. Este filme pertence a uma lista de filmes que revejo sempre com prazer, mesmo não sendo particularmente bons em termos de linguagem específica do cinema. Há razões que a própria razão desconhece e o Jerry Maguire tem muito mais a dizer-nos do que à partida podemos supor. Jerry é um agente desportivo numa empresa que cultiva a cultura muito americana do sucesso. E o sucesso é uma espécie de patamar onde qualquer falha pode arruinar uma carreira. Esta perspectiva de sucesso não dá lugar a imperfeições humanas nem, aliás, a outras características humanas: emoções, afectos, amizade, lealdade, compromissos, etc. O que conta é o que se rentabiliza. É tudo ou nada. E vale tudo nesta competição.

É nesta cultura do sucesso a todo o custo que Jerry se lembra de apresentar um memorando que engloba os valores ali negados e que contrariam a sua base implacável e a sua lógica do facturar em grande escala. Mais tarde dirá: Era só uma lista de intenções… Mas que lhe custou o lugar na empresa, nesse mesmo dia, e o início de uma aventura em que conseguiu provar que estava certo, que a sua fórmula funciona, porque considera precisamente o factor humano!

Se puderem (ou quiserem) ver o filme, reparem bem nesta cena em que o Jerry se despede dos colegas, levando consigo os peixes do aquário, talvez a sua melhor companhia ali. Mas o Jerry não vai sair dali sozinho. Quando lança o desafio aos que o quiserem acompanhar na sua nova aventura, Dorothy ergue-se por trás da secretária e levanta o braço. Ela tinha lido o memorando. Fora isso que a inspirara. Também mais tarde lhe dirá: És melhor do que eles, lembra-te sempre disso. Como quem diz, não traias os teus princípios, os teus valores. Valem a pena.

Passando para a fase actual do PSD: iniciou-se uma nova aventura, um novo percurso, que se distancia da cultura plastificada que nos têm tentado impingir, de sucesso a todo o custo, de tudo ou nada, de rentabilização de todas as energias, sem contar com o factor humano. Este novo percurso do PSD foi preparado na fase da política de verdade, partiu daí. É a fase do memorando do Jerry, a lista de intenções. Os princípios, os valores. Agora trata-se de continuar, mas com outras bases mais sólidas, em que entra a colaboração de todos. É nessa fase que estamos agora.

Este memorando baseia-se numa cultura completamente diversa da cultura do PS e do governo actual, trata-se mesmo de uma nova cultura política. E pode provar que é a correcta para ajudar o país a arrancar do imobilismo e da mediocridade. Porque segue uma lógica de equilíbrio e agilidade, de inteligência e sensatez, e sobretudo, inclui o factor humano: lealdade, compromisso, responsabilidade, etc. Só uma cultura assim abrangente, e que respeita as pessoas enquanto colectivo, pode mobilizar o país. E só a partir de uma mobilização colectiva podemos sair desta lógica actual, da inevitabilidade da decadência e da pobreza.

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