Inéditos presidenciais e a cultura republicana

Nem sei como pegar nesta ideia que me assaltou ontem ao ver a hesitação do PS, ou antes, do actual PM, em relação à confirmação do apoio à candidatura de Alegre. Só hoje percebi: o seu melhor candidato é o actual Presidente! E isto é inédito. Pela primeira vez, um Presidente eleito pelo centro-direita é o ideal para a esquerda aventureira (PS), radical (BE) e conservadora (PCP). Uma figura de cera num Museu não pode prejudicar a evangelização laica e paternalista da cultura republicana.

E o que caracteriza afinal a cultura republicana? Um insuportável paternalismo, em que se cultiva  a admiração pela personalidade do Chefe: pessoa simples, de gostos muito simples… aquela reportagem sobre o dia-a-dia presidencial ficou-me registada na memória… as tarefas diárias de um Presidente, em que lhe dizem o que ler e onde assinar… e em que o próprio dirá ser muito diferente da vida de primeiro-ministro em que havia muito que fazer… e a grande inovação na mobília: a mesa para os encontros com o PM, porque não dava jeito escrever em cima do joelho…

Sim, talvez o actual Presidente tenha mesmo assimilado o essencial da cultura republicana à portuguesa, em que os cidadãos precisam de uma orientação para não se perderem no caminho, um pulso firme, uma rédea curta. E em que vêm em bandos aplaudi-lo, nas suas deslocações inócuas pelo país.

Quanto às outras características culturais republicanas, ficam ali a cargo do governo e do seu partido: a intolerância, a agressividade e a evangelização laica. Características culturais que pouco têm a ver com o sentir português: religioso, afectivo e tolerante. Mas desde quando é que a cultura republicana quis saber do sentir português, desde quando é que respeitou os cidadãos como adultos responsáveis e autónomos, capazes de decidir sobre o seu destino?

Mas é claro que esta minha ideia terá de ser aprofundada com uma actualização da História de Portugal, sobretudo do séc. XIX, que iniciei há uma semana. Para já, esta ideia aclarou-me uma dúvida pessoal: porque é que nunca me identifiquei com esta cultura republicana? Agora percebo melhor: todos os valores que interiorizei, a religião vivida de forma afectiva, do respeito pelo próximo e da tolerância, são a minha vacina vitalícia.

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