O dilema português

A “dança da chuva” é a definição encontrada pelo Rui Ramos, no Roda Livre de ontem, na TVI 24. A “dança da chuva” para designar a atitude de negação do governo e do Presidente, mas também do país em geral, que tem escapado às grandes reformas desde os finais dos anos 80. Nada como um historiador para nos mostrar o caminho errado que temos seguido. É que, mesmo que os especuladores já nos rondem como abutres e o papel mais responsável fosse mesmo acalmar os ânimos, na verdade os nossos credores estão no seu direito de evitar correr riscos. É que quem vai financiar as nossas reformas adiadas e a nossa fraca poupança são precisamente as poupanças dos países nórdicos. Até quando estarão eles dispostos a fazê-lo?

Nem mais. A palavra solidariedade deixa de fazer sentido quando os países que a desejam falham nos sinais correctos: aprendemos com a lição e vamos mudar de vida. Agora pergunto: estarão eles dispostos a financiar um país falido que se anda a comportar como se não o fosse? Estarão eles dispostos a financiar um país com uma despesa estatal sufocante, um crescimento económico mínimo, uma ineficiência da Justiça? E neste panorama deprimente, estarão eles dispostos a financiar um TGV para Madrid? Refiro este pormenor do TGV porque ele diz tudo sobre a irresponsabilidade e decadência desta cultura republicana.

Rui Ramos referiu ainda não esperar muito de partidos que vivem do Estado social. Que só mudando radicalmente a sua lógica nos poderão servir para alguma coisa, como sair deste impasse em que estamos entalados. Foi isso que percebi. E é bem verdade. A sua cultura-base (dos partidos) está muito misturada com a cultura da administração pública: pesada, estática, conformista. Seria preciso um abanão, ou uma lufada de ar fresco, mas não temos, para já, personagens assim no cenário português, ânimos desses. A não ser que a população acorde, e lhes exija essa mudança, o que me parece muito pouco provável, e se acordar vai ser para protestar como os gregos, sem resultados benéficos…

Este Roda Livre ficou também assim, à procura da saída para este dilema português. Via-se perfeitamente o esforço colectivo para encontrar uma saída deste labirinto… mas todas as saídas estavam cortadas. Pareceu-me até ouvir a palavra garrote. Glup!

Pensar em política, como a possibilidade de agir e ver resultados, poderia ser tão estimulante! Política no sentido mais amplo, mais arejado, poderia ser sem dúvida um desafio interessante. Porque é que a política nacional é tão deprimente?

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