Mais um 25 de Abril que passou…

… e se este ano voltámos a ter a mesma receita dos últimos anos, com os mais institucionais a fazerem discursos de circunstância e os mais radicais a dizerem que é necessário outro 25 de Abril (não sei porque é que os oiço repetir isto há 30 anos mas ainda não os vi a fazer nada), fomos também brindados (e ainda bem) com alguns apontamentos inteligentes (como algumas passagens do discurso do Presidente, onde esteve manifestamente bem ao deixar a visão do quotidiano e do ataque táctico ao Governo para se colocar num plano mais elevado, dando algumas ideias para vectores estratégicos de desenvolvimento), e até mesmo pelos rasgos de humor quase sarcástico de José Pedro Aguiar Branco, cujo discurso foi tão inteligente quanto pouco convencional.

Convenhamos que ver o ex-lider parlamentar do PSD de cravo ao peito a falar de Lenine e a citar Zeca Afonso pode fazer alguns mais conservadores tremer nas respectivas cadeiras, mas a inteligência do seu discurso esteve em entrar no campo do discurso de esquerda e conseguir usar alguns símbolos que faziam parte da sua “imagem de marca” para denunciar que uma coisa é falar e outra é fazer. Nesse domínio o PS tem-nos mostrado que enquanto em poemas e cantigas é fácil falar (veja-se Manuel Alegre), quando se está com um governo nas mãos o que é necessário é fazer, e nesse campo Sócrates e Guterres deviam dedicar-se era a escrever cantigas porque no governo os resultados não são famosos.

Falando do nosso 1º Ministro, foi dele mais uma vez a frase infeliz do dia. Quando lhe pediam para comentar o discurso do Presidente, à saida da sessão no Parlamento, Sócrates disse com aquele seu ar que tem tanto de convicto como de pomposo que Portugal está mergulhado numa profunda crise, tal como estão os países mais desenvolvidos.

Quando estamos abaixo desses tais países desenvolvidos, então é porque temos especificidades concretas na nossa economia, no nosso tecido empresarial e na nossa sociedade que nos tornam incomparáveis com eles. Já quando estamos tão mal como eles, então já somos todos iguais e o facto de estarmos todos no mesmo buraco até deve ser para nós motivo de orgulho porque estamos a acompanhar as “melhores práticas internacionais” (uma expressão totalmente inócua mas que repetidamente se ouve bradada ao vento).

Pelo amor de Deus haja critério…

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