A incrível tolerância portuguesa

Em que outro país do mundo, que se considere uma democracia, se aceitariam estas medidas de um governo que perdeu toda a credibilidade? Esta é a dimensão da tolerância portuguesa. Onde é que entra o povo neste filme português? Não entra. A não ser para pagar os ordenados dos políticos e gestores públicos, mordomias, viagens, duplas e triplas pensões, etc. etc. Querem ver? Um breve exemplo: A ideia de cortar 5% aos políticos não foi minha, foi do PSD, eu não concordo com esta ideia porque as pessoas podem ficar a pensar que os políticos ganham muito. Há quem diga que isso era simbólico, mas eu não vejo isso assim. Gostava que o PM fosse dizer isto mesmo, cara a cara, a uma família numerosa portuguesa. Mas será que o PS quer saber de famílias numerosas? Não. Essas ganham muito e, apesar de não terem contribuído para o naufrágio, podem pagar.

Se pensam que com este governo será possível colocar a economia do país a crescer, estão completamente iludidos. Não é possível. Primeiro, porque não sendo credível, o governo perdeu a legitimidade para governar. Os cidadãos começam a perceber que este buraco não tem fim, e que as medidas serão revistas e revistas e revistas. Haverá contestação nas ruas, é inevitável, os ânimos irão exaltar-se, e teremos por cá uma segunda Grécia. Segundo, porque com este governo teremos a continuação do buraco negro que tudo absorve e tudo destrói. A sua lógica é a estatal socialista. Os políticos não ajudam no esforço colectivo, essa é a lógica do PM. Que pague o povo. Não previram o que aí vinha e governaram para si próprios e para se manter no poder. Esconderam dos cidadãos a situação real do país e mantiveram a ficção nacional nos debates do parlamento, nas entrevistas, nas televisões e nos jornais. Foram reeleitos com base nessa ficção. E depois o mundo mudou em quinze dias?

Até me admira que quem acreditou até hoje na ficção nacional, matraqueada pelo governo e pelo partido fidelíssimo, não sofra um ataque cardíaco fulminante. O mundo mudou em quinze dias? Gostava de saber se em mais algum país do mundo, que se considere uma democracia, é possível ouvir esta frase ao PM, o responsável máximo pela governação, a gestão do bem colectivo, e deixar que se mantenha em funções. Não creio. Esta é a dimensão da tolerância portuguesa. Deve ser por sermos um país católico, tal como defende Pedro Arroja. (Céus!, já tenho saudades dos posts de Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo.)

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Uma resposta a A incrível tolerância portuguesa

  1. ilhasmaravilhas diz:

    O presidente do pais e o do playboy deviam ser considerados nao gratos pela associacoes que defendem a etica e o moral dos lusofonos pois o primeiro fez o que fez logo depois da visita do papa no pais e o outro aproveitou da naividade de uma professoara para fazer a revista provocar venda de milhoes pisando sobre a etica e moral http://ilhasmaravilhas.wordpress.com/

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