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Pode não parecer, mas houve um tempo em que até o PS se regia por uns mínimos de decência (ainda que não de competência)

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Nos tempos do despesista Guterres, quando se instalou a ideia de que todos os nossos problemas (dos públicos e dos privados) se resolveriam se gastássemos dinheiro (privado, mesmo aquele que já foi apropriado pelo público), havia ainda no PS uma noção de decência que até Jorge Coelho aceitava: demitiu-se para assumir a responsabilidade política de um acidente mortal num equipamento tutelado pelo ministério que chefiava. António Vitorino, com bitola semelhante, no meio de umas dúvidas que se verificaram infundadas sobre umas suas propriedades, apresentou a demissão porque, dizia, um ministro não pode estar sob suspeição. Podem parecer comportamentos de uma era distante, regida por estreitos códigos de honra medieval, mas não, passou-se tudo há menos de quinze anos.

Actualmente temos um primeiro-ministro envolto em nuvens mais negras do que as do vulcão de nome impronunciável, que só nos oferece as suas mal amanhadas explicações quando a isso é obrigado; pensa, parece, qual monarca iluminado, ser ilícito media e eleitores pedirem explicações a quem os representa. Temos um deputado que rouba uns gravadores a uns jornalistas porque não gosta das suas questões, que inventa umas desculpas de ‘acção directa’ e que continua deputado com a bênção do PS. Temos, como no tempo do Estado Novo, empresas e empresários do regime (JP Sá Couto e Mota Engil, só para dar dois exemplos) com quem as negociatas mais escuras são feitas, com a originalidade de serem feitas às claras.

A herança de Sócrates não vai ser apenas a bancarrota; pior do que a bancarrota será a jóia de família de compensar a ausência de ética na política. Afinal Sócrates foi recompensado por ser um vazio ético em Setembro do ano passado.

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