Só votarei no Prof. Cavaco Silva se o poeta ou o médico ameaçarem a sua reeleição, a conferir na última sondagem que vier a ser publicada imediatamente antes da ida às urnas. O Prof. Cavaco Silva, ao decidir-se pela promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ficou afastado do meu voto (que vale o que vale), não pelo acto em si, mas pelo que se lembrou de dizer numa das mais patéticas declarações que alguma vez tive o desprazer de ver e ouvir.
Se era contra a sua consciência, deveria ter vetado, mesmo sabendo-se que o Parlamento iria impôr a sua lei; se assim não é, qual a necessidade de um Presidente da República, atendendo a que é o único órgão de soberania eleito em sufrágio universal com carácter pessoal exclusivo e que não depende de nada nem de ninguém para tomar as suas decisões, para além – esperamos nós, cidadãos – da sua consciência? Serei só eu a ver (há mais. muitos mais, bem sei!) o absurdo que ele proferiu?
Como o poeta e o médico ainda são piores que o actual inquilino do Palácio de Belém, seja por que prisma queiramos analisar, mais uma vez reafirmo que se a sua reeleição não estiver assegurada lá lhe deixarei o meu voto. Caso contrário no dia da eleição vou-me dedicar à pesca, que é coisa que nunca fiz, mas que cada vez me sinto mais tentado a fazer. Tenho bons amigos que são pescadores, daqueles da Marginal à noite. (Deve ser efeito da brisa marítima.)