Assim vai ser difícil…

Amigos eclesiásticos, depois disto, disto, disto e quando já se poderia pensar que o mal já estava todo feito, disto, agora mais isto?

Tomem lá juiizinho está bem? Começa a ser difícil defender-vos

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4 respostas a Assim vai ser difícil…

  1. Nem é preciso defender o indefensável. A pedofilia não se defende. Nem quem a comete. Aliás, nem os crimes de perjúrio, de incitação à violência e ao ódio. Mas é óbvio que a cegueira é colectiva.

    • Zé M. Lucas Martins diz:

      Caro Nuno (espero que não se importe que o trate assim), apesar do post provocatório (a intenção era mesmo desencadear a discussão), discordo de si em toda a linha.

      Sejamos pragmáticos:
      1. a Igreja, como qualquer outra congregação, é formada por homens, que como todos os outros têm os seus defeitos e imperfeições;
      2. no quadro de todos os homens e mulheres que constituem a obra da Igreja (desde os missionários em África aos voluntários que recolhem alimentos ou todas as noites passam bem perto das nossas portas distribuido a sopa dos pobres no anonimato da noite, passando por todas as obras de cariz social e educativo a que cada vez mais o estado e a sociedade se alheiam), estes casos (de desvio, não nego) representam uma pequenissima percetagem do universo. Quase me atrevo a dizer que, estatisticamente, a amostra tem um peso irrelevante face à população;
      3. o próprio Papa Bento XVI já reconheceu os erros, pediu perdão por eles e manifestou-se disposto a fazer todos os possíveis para atenuar um sofrimento que, apesar de só podermos imaginar o que sentiram as vítimas dos abusos, nos parece irreparável. Não só esta atitude não se compadece com o aquilo que impulsivamente é apelidade de “cegueira, como mais do que palavras, trata-se de um homem (mas não um qualquer homem, especialmente por via do papel que representa) a praticar os ensinamentos que prega;
      4. poderia mesmo assim o Nuno argumentar que a Igreja tem uma responsabilidade moral que a devia tornar especialmente criticável neste tipo de casos. Apesar de, pelos pontos que referi acima, não me parecer um argumento muito válido, folgaria ver o reconhecimento público à Igreja da moral que tantas vezes lhe tentam retirar.

      Espero que não me interprete mal e que não pense que com este discurso estou a tentar desulpar o indesculpável, ou a defender que quem prevaricou não deva ser castigado na justiça dos homens.

      Contudo, se olharmos por debaixo da espuma do problema, e tal como nas palavras de Cristo, quem de nós nunca errou que atire a primeira pedra… Se não tivermos pedras para atirar (eu pelo menos não tenho, por imperfeição minha), façamos o que Ele nos ensinou, não julgando o todo pela parte e sendo humildes o suficiente para reconhecer o erro e por ele pedir perdão, sabendo reconhecer e perdoar o arrependimento.

      Além disso, se formos rigorosos teremos que admitir: o que as Escruturas nos ensinam, pelo menos, mal não faz!

      1 abraço,
      ZM

  2. Maria João Marques diz:

    Zé, não querendo defender o indefensável – porque nem acho nada aconselhável o Vaticano ter um banco – a notícia é um bocado esquisita, como de resto costumam ser as notícias que envolvem o Vaticano. O José Manuel Fernandes, ex-director do Público, diz que uma das coisas que muito cedo percebeu quando se tratava de notícias de citações do Papa, por exemplo, é que não se podia confiar nelas, já que estavam sempre deturpadas.

    Nesta notícia não se percebe se são os gestores do banco que estão a participar na lavagem de dinheiro, se são particulares que lavam dinheiro, usando as contas no IOR. Não se percebe porque é estranho haver movimentos de 180 milhões de euros numa das contas. O La Repubblica é um jornal alinhado à esquerda e do mais jacobino que há, pelo que não se garante isenção, algo que o JN escolhe não referir. Para finalizar, a notícia do JN acaba com algo que não tem nada a ver com estas supostas suspeitas, apenas para nos lembrar que as finanças do Vaticano são geridas por aldrabões sem escrúpulos (basta um, que são todos iguais), falando do Paul Marcinkus. Não me parece jornalismo do melhor 🙂

    • Zé M. Lucas Martins diz:

      MJ, concordo inteiramente.

      Neste momento acho que se estão a tentar tirar dividendos da posição fragilizada da Igreja recorrendo a um certo populismo e ao velho ditado “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”.

      O que me parece é que no meio da discussão se está a confundir o todo com uma reduzida parte em vários aspectos, não só reduzindo a Igreja aos Padres como reduzindo a conduta geral da Igreja a alguns casos isolados.

      Como respondi acima ao Nuno Resende, não quero com isto isentar de responsabilidades os envolvidos, mas também não me parece justo reduzir a fé e a Igreja a “meia dúzia” (não no sentido literal, entenda-se) de casos isolados.

      Acho que o Papa Bento XVI lidou muito bem com o caso logo a caminho da visita a Portugal e portanto estará na hora de parar de “chover no molhado”.

      É verdade que a esquerda mais radical e laica tenta há anos afastar a conotação católica dos Estados, mas também tentou formar um sistema económico alternativo e não foi por isso que teve sucesso.

      O sistema económico já desapareceu (por falar nisso, alguém devia dizer ao Gerónimo de Sousa que a URSS faliu, porque cada vez mais ele parece a uma personagem do “Adeus Lenine”). Resta-nos esperar que aconteça o mesmo a esta investida contra a Igreja.

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