O desejo oculto de ser justificado e controlado ou o medo de ser livre

Não vejo outra razão para tanta causa excêntrica e tanta militância pueril. Além de espatifar com as regras tradicionais de uma sociedade já de si a deslaçar-se (magnífica definição de Pacheco Pereira).

Estas causas soam a importação dos States: uma sociedade totalmente regulada por leis e mediada por advogados. Surgem, assim, como uma necessidade ou desejo oculto (quem sabe até dos próprios) de ver as suas opções de vida justificadas socialmente. Parecem-me ainda revelar a necessidade de ver a sua vida e a forma de a organizar contemplada numa qualquer lei, regulada por essa lei. No fundo, parece revelar uma necessidade ou desejo oculto (talvez até dos próprios) de se ser classificado, regulado, controlado. No fundo no fundo, o medo de ser livre.

Mas há também aqui um desejo de exposição social como se um cidadão comum se perdesse na multidão, sem identidade nem direito à existência. Como se a visibilidade lhes confirmasse a sua existência. Sou visto, sou ouvido, logo existo. Tudo também parece indicar uma confusão entre o público, do domínio do social, grupal, comum, e o privado, individual, da sua inteira responsabilidade, um consigo próprio.

Já todos percebemos que se se tratasse de ver contemplados direitos equivalentes, não teria surgido a exigência de fazer equivaler a sua união a um casamento. Agora, the sky is the limit… Só que o céu aqui são as exigências de uma cultura pueril que não é realmente para levar a sério. Adultos responsáveis não se colocam em primeiro lugar em tudo: quero uma família igual à da mamã e do papá, com filhos iguais a mim e aos manos, e tudo igual, igualzinho. Quero escolher a minha identidade de género, A, B, C, ou ainda os géneros que se vierem a descobrir… Quero essa identidade esparramada numa lei, um menu de identidades e de possibilidades familiares e afins. Quero que todos saibam, todos, que temos os mesmos direitos, somos todos iguais, mas nós estamos, claro, em primeiro lugar, somos mesmo in, somos o futuro, somos muito à frente…

Nunca uma sociedade foi tão carente de adultos responsáveis e com bom senso, sem necessidade de protagonismo ou de visibilidade. A quem é que esta geração está realmente a entregar as crianças? À Educação da formatação para a mediocridade, à televisão da vulgaridade e da superficialidade, à falta de tempo e de atenção dos pais, uns absorvidos por trabalho, outros sem a noção das exigências do papel de mãe e pai, e agora ainda às futuras causas da excentricidade pueril. Um futuro risonho nos aguarda…

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