Quando o perigo vem dos livros

Este (mais que merecido) prémio para Amin Maalouf, em conjugação astral com as recentes abordagens israelitas a navios cheios de ‘pacifistas’ e subsequente produção de disparates dos lados do costume sobre a legitimidade israelita de se defender e de prevenir ataques aos seus e ao seu solo e, sobretudo, da legitimidade de Israel existir numa terra que, dizem, sempre – se for necessário até se socorrem de relatos bíblicos, essa coisa malfazeja que noutras situações só corrompe as mentes puras) foi dos muçulmanos (com uma incorrecçãozita histórica ou outra, for the sake of the argument, mas who cares?), convoca o Origens, de Amin Maalouf. Assim num ápice, Origens conta a história dô avô Maalouf de Amin, nascido no que é agora o Líbano, seguido da procura de primos Maaloufs em Cuba. Ora, muito curiosamente, e devendo iluminar este direito inalienável dos palestinianos à terra onde se situa Israel, o avô Maalouf tanto se designava como turco otomano, como sírio, como libanês (se residisse um poucochinho mais abaixo, talvez se tivesse também identificado como britânico). Mais: segundo Amin Maalouf, a pátria, para aquelas bandas, não se identificava com o local de nascimento, nem com a religião; não, a pátria identificava-se com o nome de família, com o clã, e extravasava as barreiras de fronteiras, línguas ou religião.

Algum leitor pouco endoutrinado pela esquerda europeia e por anti-semitas do mundo todo até formaria uma opinião herética, lendo Origens: a de que, no Médio Oriente, os contornos territoriais, e os sentimentos de nacionalidade, e as lealdades patrióticas são difusas, pela própria geometria variável dos países; enfim, que a Palestina, tal como os seus vizinhos, nunca foi um estado-nação (agora ‘ocupado’).

O melhor é ler jornais, que contam (e ocultam) aquilo que é bom para nós e para andarmos devidamente uniformizados, e não ler livros, para não nos atrevermos a pensar sobre a realidade, e formar opiniões próprias (perigo!, perigo!) mais fundamentadas.

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4 respostas a Quando o perigo vem dos livros

  1. Euroliberal diz:

    Pequena lição de História do Médio Oriente para ignorantes ou distraidos…

    Os palestinianos são a população autóctone da Palestina, pelo menos há 4.000 anos. A sua religião maioritária até aos finais do séc. I foi o judaísmo, passando depois a ser o cristianismo (em todo o Médio Oriente e norte de Africa). Houve um fenómeno duplo de conversão religiosa (cristã) e de aculturação (helenística) que se repetiu seis séculos mais tarde, passando então a religião maioritária a ser o islão e a cultura a árabe.

    MAS O POVO É E FOI SEMPRE O MESMO. Só os ignorantes é que desconhecem o fenómeno da aculturação e imaginam que os “árabes” vieram todos de Meca !!! Meca era uma aldeia com umas centenas de beduínos… que não podiam povoar o vastíssimo império árabe do Indo aos Pirinéus. Os povos desses territórios não mudaram. Só que se converteram ao islão e assimilaram a cultura e lingua árabes. Também não foram os cidadãos de Roma que povoaram o também vastíssimo império Romano, mas os autóctones que se romanizaram a adoptaram o latim como lingua…Elementar…

    Mas há mais… É que a maioria (90%) dos judeus de hoje, os askenazis nem sequer são semitas e oriundos, mesmo longinquamente da Palestina !!! Só a minoria sefardita pode invocar esse parentesco longínquo: são semitas, mas magrebis e não palestinianos ou médio orientais (vieram com os árabes para a península em 711 com Tarik, ele próprio ex-judeu convertido ao islão após a conquista árabe do Magrebe, onde antes havia um reino berbere judeu).

    Mas os palestinianos de hoje é que são os descendentes directos dos habitantes da Palestina do tempo de Cristo. O povo é ETNICAMENTE o mesmo. É semita. Só a religião dominante mudou duas vezes em 2.000 anos. E não perdem o parentesco de sangue pelo facto de os seus antepassados se terem convertido sucessivamente ao cristianismo e ao islão. Foram judeus (que é religião e não comunidade étnica) mas já não são. Mas continuam a ser semitas palestinianos. Sempre.

    Os askenazins de pele e olhos claros são descendentes dos turcos khazares do antigo império Khazar, convertido ao judaísmo (séc VII-X) na região do Cáucaso, Ucrânia e Casaquistão (hoje), que foram depois empurrados pelos mongóis para a Polónia e Lituânia, berço dos askenazins medievais e dos quais descendem 90% dos judeus actuais e dos israelitas judeus. Não são semitas e NADA têm a ver com a Palestina. Também os filipinos são católicos e nem por isso têm a ver etnicamente com a terra de Jesus. Elementar…

    Ver, v.g., a obra de Arthur Koestler, judeu askenazin, “a 13ª Tribo” onde tudo está explicado…

  2. Euroliberal diz:

    Palestina, tal como os seus vizinhos, nunca foi um estado-nação (agora ‘ocupado’) ?

    Pois, mas foi um povo-nação, desde sempre, com vocação à autodeterminação. Ou Angola e todas as colónias antes da independência não tinham direito a esta, por não serem estados-nações modernos ?

    Desde quando é que a limpeza étnica de um povo não é crime contra a Humanidade imprescritível e não branqueável ? A autodeterminação faz-se SEMPRE em beneficio do povo autónomo, nunca de um terceiro, invasor, que substitui o colonizador de saída, segunda a Carta da ONU. Branco é…

  3. Maria João Marques diz:

    Oh Euroliberal, não desconverse. A diáspora judaica é um fenómeno histórico comprovado.

    Além disso, o ponto do post era mostrar que a Palestina e Israel, tal como a Jordânia ou o Líbano, são criações recentes e não pode questionar-se Israel e aceitar-se todas as outras como se de factos imutáveis por séculos se tratassem.

    E não há qualquer limpeza étnica de palestinianos (só se for dos seus vizinhos muçulmanos, que até os aproveitarem para estandarte só sabiam dizimá-los nos seus países). Já os judeus são para deitar ao mar.

  4. Euroliberal diz:

    Shlomo Sand , Illan Pappe e outros novos historiadores israelitas contestam que haja um “povo” judeu e que este tenha sido exilado. Cristo e os judeus do seu tempo criaram uma cisão de que nasceu o cristianismo a que todo o médio oriente se converteu. E depois veio o islão… Os palestinianos são os descendentes, os askenazins são apenas europeus não-semitas e invasores apartheidescos. Vão sair a bem ou a mal…

    Limpeza houve e desde 1948. 80% dos palestinianos foram limpos. Só os revisionistas da história o negam…

    Que raio de povo é esse que pode ser negro (falacha étiopes), arabes (sefarditas) ou arianos de olhos azuis askenazis turco-khazars ? Seria o único povo de várias cores…São apenas uma comunidade religiosa multi-étnica estranha à Palestina. São factos. E limpeza étnica é crime contra a humanidade quer dá direito à forca. Crime imprescritível.

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