Entre a fleuma inglesa e a guilhotina francesa, a tristeza portuguesa

Se observarmos o Mundial como leigos no assunto (o meu caso) conseguimos perceber melhor as diferenças nas reacções dos diversos países (do cidadão comum às elites políticas).

Assim, a diferença mais nítida talvez tenha sido entre a fleuma inglesa e a guilhotina francesa. Apesar da decepção, os ingleses encaixaram de forma desportiva a eliminação. Já os franceses valorizaram a desorientação da equipa, a rebeldia da equipa em relação ao treinador, e sobretudo porquê? Por causa da imagem. Ainda os jogadores estavam em campo, e já a ministra não sei de quê e o próprio Sarkosy lançavam nas televisões frases assassinas. E isto não se ficou por aqui. Parece que agora é a caça às bruxas e a guilhotina. A Revolução Francesa ainda mantém o seu espírito vivo. Ups!

No nosso caso, houve uma projecção na Selecção, e este fenómeno repete-se invariavelmente da mesma forma: da euforia à tristeza vai apenas um segundo. Uf! É um desgaste de energias. A Selecção tinha de pedalar por todos nós. Ora, isto não funciona assim. Verdade seja dita, deu para ver um magnífico guarda-redes. Incrível mesmo. Se não fosse o rapaz tínhamos vindo com uns 3 – 0 ou pior!

Mas vamos tentar encontrar uma solução para este círculo vicioso desgastante. E já não me refiro aqui apenas ao futebol, foi também assim nos últimos Jogos Olímpicos. Se não fosse um triplo salto e uma corrida, era uma choradeira. Reparem no seguinte: o nosso país não investe em desporto, e aqui investir não se traduz apenas em dinheiro, há muitas formas de investir. A Educação, por exemplo, desvaloriza o desporto (assim como a música, outra área fundamental). O próprio Carlos Lopes, o nosso maratonista, viu terminado pelos socialistas um modesto subsídio que lhe permitia deslocar-se às escolas por esse país fora. E Carlos Lopes é um modelo de desportista exemplar, que se saiba não se lhe conhecem fretes publicitários ao governo. Este é um país que não acarinha nem valoriza o trabalho dos seus desportistas mas depois, na hora da verdade, projecta-se nos seus resultados. Estão a ver o paradoxo? E se os cidadãos começassem a defender o desporto nas escolas (e a música, já agora), que são muito mais úteis e formativos do que a Educação Sexual obrigatória, por exemplo?

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