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TAP

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Quando o Gen. Humberto Delgado jogava pelo clube da casa, e na sua qualidade de director do Secretariado da Aviação Civil, decidiu num dia solarengo (estas coisas não acontecem em dias de chuva ou tempo encoberto, quebra logo o espírito da coisa) criar os Transportes Aéreos Portugueses. Reza a história que o tal dia de sol foi o 14 de Março de 1945 (no resto da Europa e no Pacífico estava uma neblina persistente).

Nasceu torta. Foi preciso mais de um ano para operar a primeira linha comercial, Lisboa-Madrid, em 19 de Setembro de 1946, e como tudo o que nasce torto, diz o povo, jamais se endireita, no caso da TAP a coisa ainda pareceu que se reabilitaria. Afinal tornou-se mais que uma empresa ou corporação, foi uma bandeira, que nos idos representava o esplendor (perdido) da nação. O paradigma eram as hospedeiras: eram todas novinhas e bonitas (e eventualmente prendadas e coquetes). Hoje são todas apenas bonitas (todas as mulheres são bonitas).

Mas teria inevitavelmente a TAP de cair, porque nasceu torta, e agora vem o Governo admitir que “a TAP não resistirá a uma nova crise“. Desdenhando o fatalismo, mais um sinal inequívoco que perdemos definitivamente a inocência. Em tão pouco tempo, afinal. Ontem era uma bandeira; hoje é uma relíquia.

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