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Porque é que Salazar não me inspira?

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Dia 27 passaram 40 anos sobre a sua morte. Faz parte da História do país. Mas a personagem não me inspirou a um texto sequer. Não sou historiadora nem tenho essa capacidade de isenção. Posso até aceitar que a personagem foi importante, que desempenhou um papel fundamental. Mas daí a sentir que me marcou de alguma forma, só se for para melhor detectar a linguagem do poder.

Tivesse eu vivido no tempo da 1ª República e acredito que teria valorizado a entrada em cena da personagem. Ou tivesse eu vivido o receio de um envolvimento na 2ª Guerra Mundial, e talvez sentisse uma certa simpatia pela personagem. Mas eu surgi no final da década de 50, e vi na televisão um ou dois discursos da personagem, num tom insuportavelmente paternalista, até para uma criança… Sim, aprendi desde cedo a detectar a linguagem do poder e a evitar a todo o custo submeter-me à sua influência.

Quando a personagem saiu de cena e entrou Marcello Caetano, que lufada de ar fresco! Mesmo com o seu ar professoral, gostava das suas Conversas em Família. A sério! Já teria os meus 11, 12 anos, e ouvia-o muito atenta. A única coisa que me custava a aceitar era a Guerra Colonial, os soldados a desejar um Feliz Natal à família… quantos voltariam? Isso para uma pré-adolescente era difícil de entender. Mas de resto o clima geral já era o de uma certa abertura e esperança, mesmo que digam o contrário.

A meu ver, o Estado Novo, propriamente dito, desapareceu com a personagem principal. E a primavera marcelista iniciou uma época de transição cultural. Para o bem e para o mal. Mas claro, esta é a minha perspectiva pessoal, condicionada irremediavelmente pela minha circunstância histórica.

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