Farmácia Central

Será desconhecimento dos factos? Ou desconhecimento da língua portuguesa?

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Os comunistas do Porto queriam uma rua na cidade com o nome de José Saramago e a maioria de centro-direita na autarquia não aceitou a proposta. Até aqui nada de surpreendente na notícia do Público. Sucede que o jornalista (certamente mui isento) escreve o seguinte sobre a argumentação de Rui Rio (bolds meu):

«”A razão porque [sic] o executivo entendeu não acolher a proposta do PCP, de atribuir o nome de uma rua do Porto a José Saramago, é pois esta, ou seja, a inexistência de uma relação directa com o Porto”, lê-se na carta enviada por Rui Rio ao PEN Clube. O autarca acrescenta ainda que, mesmo que esta razão não existisse, a sua “consciência teria muita dificuldade em votar favoravelmente” o nome de Saramago, recordando os “saneamentos políticos de jornalistas que o ilustre escritor promoveu no “Verão Quente de 75″ enquanto director adjunto do DN”.

“Para quem dá grande valor aos princípios democráticos, é muito difícil ultrapassar atropelos tão graves à democracia, mesmo em nome de um elevadíssimo mérito específico como é o caso do nosso Prémio Nobel da Literatura”, escreveu ainda Rui Rio (o autarca, recorde-se, chegou a expulsar jornalistas de conferências de imprensa e a condicionar a atribuição de subsídios municipais à assinatura de um documento que limitava a liberdade de expressão dos responsáveis pelas instituições a apoiar).»

E eu questiono-me: será que, para este jornalista, sanear uma pessoa por motivos ideológicos – i.e., despedir, sem qualquer indemnização, alguém por motivos ideológicos, fazendo perder a quem é despedido o seu ganha-pão, para mais numa circunstância muito específica em que quem era saneado tinha inúmeras dificuldades em encontrar emprego noutro local e, em consequência, vivia períodos de maior constrangimento económico – se equipara a escolher os jornalistas das conferências de imprensa ou a condicionar a atribuição de subsídios camarários (dinheiro que é propriedade dos contribuintes e não das clientelas subsidiodependentes, ainda que estas suponham ter um direito inalienável ao dinheiro alheio) à aceitação pelas entidades a subsidiar das condições impostas pela CMP?

Enfim, é o jornalismo que temos.

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