Casa Pia: declaração de interesses

Claro que os condenados do processo Casa Pia podem ser inocentes; eu, mera mortal, não sei o que fizeram ou deixaram de fazer os seis condenados do processo Casa Pia. Também só numa fase pós-lobotomia me veriam elogiando às cegas um ministério público onde pululam personagens sinistras como Cândida Almeida ou Lopes da Mota, e manda o bom-senso que se pratique a dúvida sistemática de tudo o que provém do MP. Umas coisas, no entanto, parecem certas; que os cerca de trinta jovens a quem se deram os abusos como provados foram, de facto, e segundo mais do que uma perícia médica e psicológica, abusados enquanto na Casa Pia; que os juízes que presidiram ao julgamento deram todas as oportunidades de defesa aos acusados, cujos advogados apresentaram à exaustão testemunhas e requerimentos. Donde: o julgamento foi justo (o advogado do antigo provedor da Casa Pia dixit) e houve, na realidade, vítimas abusadas.

Querem os advogados de Carlos Cruz e Manuel Abrantes, e Carlos Cruz e Ferreira Diniz, convencer-nos de que as vítimas de abusos são uma fraude e que tudo não passou de uma manobra (com objectivos não explicados) do MP, que inventou indícios onde não os havia contra sete pessoas escolhidas aleatoriamente que nada tiveram a ver com os abusos na Casa Pia, isto se na realidade abusos houve.

Ora isto, simplesmente, não é credível. Posso acreditar que o MP não investigou pessoas que deveria ter investigado ou que se concentrou em meia dúzia de suspeitos contra quem parecia haver maiores indícios (seriam processos mais fáceis) e neles se concentrou para conseguir apresentar serviço. Não colhe, no entanto, o argumento de que o MP começou por imputar x crimes ao acusado A, depois da instrução apenas eram imputados x-y e terminou sendo acusado de x-y-z. Isto diz-nos apenas que foram julgados os abusos contra os quais os indícios eram verdadeiramente relevantes. E, sobretudo, é inconcebível a teoria de que o MP tenha decidido perseguir uns tantos cidadãos só porque sim.

Lamento, e claro que em todo o mundo a Justiça erra e para minimizar essa possibilidade existem recursos e diversas garantias, mas havendo vítimas de abusos e tendo um tribunal condenado seis acusados, eu, por mim, inclino-me para que o tribunal tenha acertado.

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