Depois daquela malfadada capa da Time, mais umas coisas destas e deixo de ler notícias sobre o Afeganistão. Estragam-me os dias.

«There are no statistics about how many Afghan girls masquerade as boys. But when asked, Afghans of several generations can often tell a story of a female relative, friend, neighbor or co-worker who grew up disguised as a boy. To those who know, these children are often referred to as neither “daughter” nor “son” in conversation, but as “bacha posh,” which literally means “dressed up as a boy” in Dari.

Through dozens of interviews conducted over several months, where many people wanted to remain anonymous or to use only first names for fear of exposing their families, it was possible to trace a practice that has remained mostly obscured to outsiders. Yet it cuts across class, education, ethnicity and geography, and has endured even through Afghanistan’s many wars and governments.

Afghan families have many reasons for pretending their girls are boys, including economic need, social pressure to have sons, and in some cases, a superstition that doing so can lead to the birth of a real boy. Lacking a son, the parents decide to make one up, usually by cutting the hair of a daughter and dressing her in typical Afghan men’s clothing. There are no specific legal or religious proscriptions against the practice. In most cases, a return to womanhood takes place when the child enters puberty. The parents almost always make that decision.

In a land where sons are more highly valued, since in the tribal culture usually only they can inherit the father’s wealth and pass down a name, families without boys are the objects of pity and contempt. Even a made-up son increases the family’s standing, at least for a few years. A bacha posh can also more easily receive an education, work outside the home, even escort her sisters in public, allowing freedoms that are unheard of for girls in a society that strictly segregates men and women.

But for some, the change can be disorienting as well as liberating, stranding the women in a limbo between the sexes. Shukria Siddiqui, raised as a boy but then abruptly plunged into an arranged marriage, struggled to adapt, tripping over the confining burqa and straining to talk to other women.»

Leiam tudo, que vale a pena (mas, lá está, pode estragar o dia).

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2 respostas a Depois daquela malfadada capa da Time, mais umas coisas destas e deixo de ler notícias sobre o Afeganistão. Estragam-me os dias.

  1. agfernandes diz:

    Maria João
    Confesso que, de todas as histórias mais incríveis que podia imaginar vindas dessas paragens longínquas, essa é a mais incrível possível…
    … mas faz todo o sentido. A vida das mulheres é tão difícil por lá, que a primeira ideia que poderia ocorrer a uma família seria essa, precisamente. Antes da idade das evidências, esse disfarce é uma questão de sobrevivência. Triste necessidade, mas imposta por uma cultura que menoriza e minimiza completamente as mulheres.
    Esse tema dava um livro, Maria João. A história dessa miúda, por exemplo. Depois do estatuto, embora dúbio e transitório de “basha posh”, ter de usar a burqa e ser tratada abaixo de cão…
    Sim, é deprimente esse filme, vou só ler esse link quando estiver imune a relatos tristes… hoje não é o caso…
    Ana

  2. Pingback: Mulheres, em diversas geografias « Farmácia Central

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