O saudoso Sá Carneiro desejava uma maioria, um governo e um presidente. Imaginem só se em Belém, em vez de Cavaco Silva, estivessem sentados o bardo ou o vetusto. E não morro de amores por ele.
Se calhar é bom não deixar os ovos todos no mesmo cesto…
“Se calhar é bom não deixar os ovos todos no mesmo cesto…”
Tenho um grave problema com esse argumento: implica que eleger Cavaco nas presidenciais é não vir a apoiar o PSD nas legislativas (pelo menos ao ponto de não lhe desejar uma maioria). E parece-me um imperativo nacional, face aos candidatos conhecido, manter Cavaco em Belém. E mais imperativo é, face ao desgoverno em que caímos, retirar o poder ao PS e entregá-lo ao PSD.
Caímos num paradoxo, é por demais evidente, mas é conjuntural. Talvez passe mesmo por não desejar uma maioria absoluta do PSD durante a vigência da presidência de Cavaco Silva, sendo que para mim também é um imperativo moral correr com o PS socrático.
“Talvez passe mesmo por não desejar uma maioria absoluta do PSD durante a vigência da presidência de Cavaco Silva”
Desde que PSD e CDS alcancem a maioria absoluta, não seria de todo má opção. Embora seja importante frisar que já existe uma diferença ideológica entre o PSD de Cavaco e o PSD de Passos, o que pode atenuar o problema em causa (e a bem da verdade, é preciso notar que entre o PS de Alegre e o PS de Sócrates acontece o mesmo). A questão de fundo, para mim, é se é preferível um presidente que faça a ponte entre o PS e o BE ou entre o PS e o PSD. Este último, não sendo a melhor opção, é pelo menos a melhor que temos.
De qualquer forma, parece-me que o PS terá sempre o ‘seu’ presidente. Cavaco nunca fará a Sócrates aquilo que Sampaio fez a Santana (Cavaco é o mesmo que apoiou Mário Soares no segundo mandato, é bom de lembrar). E curiosamente (ou então não), Cavaco deu uma mãozinha na queda de Santana, em parte com base na tese dos ovos e do cesto (convinha-lhe fazer cair Santana para mais facilmente ganhar nas presidenciais). É, aliás, com base nessa mesma tese, que dispôs-se a carregar Sócrates no poder até às próximas eleições presidenciais.
Advogo os acordos parlamentares, ante ou após eleições, e mesmo os governos de coligação, mas com parceiros “naturais”. Parece-me preferível uma coligação PSD-CDS a tudo PSD.
Sim, se tivéssemos o bardo Alegre agora em Belém seria caso para emigração massiva para Espanha, obrigando a campos de refugiados para os lados de Badajoz tal os números avassaladores de exilados