Versões do ‘interesse nacional’

Diria eu que o interesse nacional se concretiza na saída do PS do governo do país, em eleições, com uma votação exígua, depois dos eleitores finalmente perceberem o descalabro que resultou das políticas socialistas despesistas (que os economistas amigos sempre apelidaram de ‘expansionistas’); e concretiza-se também num novo governo maioritário liderado pelo PSD (a sós ou, se necessário, com o CDS) capaz de efectivamente reformar o Estado, reduzir a despesa pública para níveis salubres, extinguir serviços e, quem sabe, diminuir o número de funcionários públicos. (E esta última parte da frase leva-me a crer que sou uma menina complicada, que isto a mim parece-me tarefa hercúlea, para demorar um ano ou dois, pelo menos, a preparar e implementar e nunca realizável até à próxima votação do OE.)

Mas parece que estou enganada. O interesse nacional resume-se, tão só, a não aceitar a subida do IVA para 23%; a permitir que o governo PS se demita antes de o povo provar o fel que os queridos socialistas nos proporcionaram e permitir que o PS gaste até Maio (em campanha eleitoral, claro) os limites de despesa generosos do OE2010; a ver o PSD associado às culpas das consequências económicas (e se as haverá) da crise política que, de súbito, e tal como a crise internacional serviu para 2009, será bombardeada para a opinião pública como a única causa de sobressaltos no país, que antes estava tudo tão bem encaminhado; a irmos a eleições em Maio, quando o PSD, a avaliar pelas últimas sondagens (que ainda não contêm a formidável capacidade de desinformação socialista que se seguiria a um chumbo no orçamento), ganharia sem conseguir, mesmo em coligação com o CDS, uma maioria na AR e, finalmente, a termos um governo frágil numa altura em que estamos no fio da navalha e um governo que nunca conseguiria aprovar na AR qualquer reforma do Estado.

É escolher.

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4 respostas a Versões do ‘interesse nacional’

  1. Não consigo ter uma opinião definitiva quanto à redução de pessoal da função pública. Por um lado parece-me óbvio e urgente colocar no olho da rua a rapaziada com que o PS, e anteriormente o PSD, trataram de encher a administração. É gente incapaz, inútil e que, a maior parte das vezes, nem trabalha nem deixa trabalhar.
    Por outro lado assiste-se a um escandaloso aumento das despesas com aquisição de serviços por causa do recurso a empresas de trabalho temporário e outro outsourcing em virtude dos serviços não disporem de recursos humanos para dar resposta às necessidades. E em muitos casos, garanto eu que nesta matéria farão o favor de me considerar insuspeito, o recurso a este expediente nem sequer tem como principal objectivo favorecer alguém do clube…

  2. Maria João Marques diz:

    Kruzes, não duvido que haja serviços públicos com falta de pessoal. Mas e nas empresas privadas, quantas vezes, por restrições financeiras, não se tem de acumular tarefas que seriam melhor se divididas por duas pessoas? E também não será o panorama geral da função pública, onde na maioria dos casos há funcionários a mais. Toda a gente que eu conheço que já trabalhou na função pública depois de trabalhar no sector privado me diz o mesmo: na função pública o ritmo é relaxado. O que de resto se vê sempre que uso repartições públicas: as conversas entre colegas são demoradas, anda-se lentamente de um lado para o outro, enfim, o tempo de trabalho é para se ir gastando com parcimónia. Dou-lhe um exemplo. Fui a uma repartição de finanças durante um dos jogos do mundial esperando ter pouca gente à minha frente; tinha, de facto, mas também tinha dois funcionários para atenderem toda a gente, que os restantes ouviam-se festejando atrás das estantes (foi no jogo dos não sei quantos golos); só apareceram quando o jogo terminou. Se alguém tivesse deixado de dar atenção a um cliente na minha empresa para ver o jogo, ou desleixado um trabalho urgente, seria processo disciplinar na certa.

  3. Tem toda a razão no que escreve. São, no entanto, minudências. Principalmente se pensarmos que a IGAL e o Tribunal de Contas não tem pessoal para fiscalizar os Municípios e as empresas municipais ou a segurança social e o fisco quase só visitam empresas onde sabem não haver problemas porque não há funcionários suficientes para levantar processos aos incumpridores.

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