Os fenómenos eleitorais

Só para reduzir a ansiedade do centro-direita português, porque a direita – a verdadeira, a realista, a que sabe de que representantes realmente precisamos, já o sabe muito bem -, aí vai:

O fenómeno Alegre – 2006 foi um fenómeno irrepetível. A campanha construiu-se praticamente sem meios, e sobretudo pela internet. De certo modo, foi uma antecipação do fenómeno Obama. E não foi apenas aqui, na característica “campanha virtual”, que temos as semelhanças com a campanha de Obama, foi a exploração do lado emocional, Alegre e a Trova do Vento Que Passa, Obama e Luther King, etc. De resto, as diferenças são notórias, nos meios e nos argumentos.

Que poderemos dizer dos eleitores de Alegre – 2006, além do seu enorme equívoco? Que muitos deles utilizavam a internet, foi aí que a campanha se mobilizou, e que eram, muitos deles, independentes. Concedo que a maioria dos seus eleitores seria do PS e do BE, mas votaram muitos independentes. Os tais do enorme equívoco. Pelo lado racional: argumentos do candidato e a sua suposta irreverência face ao sistema, e pelo lado emocional: em defesa dos mais desprotegidos da sociedade portuguesa (A Trova…)

Ora, tudo isto se esfumou. Alegre – 2011 é outro Alegre, o verdadeiro, igual a si próprio e reduzido ao grupo que representa: o BE sobretudo, e algum PS, mas pouco significativo.

O centro-direita, o PSD, irá votar no actual Presidente. Uma boa parte dos socialistas, o PS, também. É o triunvirato do sistema, baseado na alternância: Presidente + PSD ou PS.

A direita CDS terá duas atitudes: uns votam, outros abstêm-se ou votam em branco. E a direita independente, a que não se revê no regime nem no sistema, provavelmente hesitará em dar-se ao incómodo de pôr lá os pés e abster-se-á.

Portanto, é fazer as contas: maioria do PSD + boa parte do PS + uma parte do CDS + a popularidade do actual Presidente = já dará para ganhar as eleições.

Não subestimar Nobre, no entanto. Dali pode emergir um novo fenómeno, também ele pleno de equívocos, basta ver quem apoia a sua candidatura, mas não só… Com a actual situação catastrófica do país, com a pobreza a tornar-se quotidiana, visível e urgente, pode dar-se um novo fenómeno, tal como Alegre – 2006.

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