Como é que se concilia o inconciliável? O professor Marcelo explica

Mais uma vez ouvi o Professor Marcelo, talvez por uma ligeira curiosidade porque, convenhamos, muita coisa aconteceu esta semana, mais no plano verbal e insane é certo, mas ainda assim aconteceu. Reparei, para já, que o Professor já não dá notinhas ao governo nem ao PM pelas suas medidas numa avaliação de 0 a 20. É pena. Poderia rebentar a escala nos seguintes itens: capacidade de destruição de um país – 20; velocidade de empobrecimento de um país – 20. Assim como, por exemplo: capacidade de encobrir a verdade sobre o défice em eleições eleitorais – 20; capacidade de controle dos media (informação) e das instituições-chave do país – 20. E também ao Presidente, um 18 pela cooperação estratégica, só não chega ao 20 porque debitou dois ou três discursos tímidos sobre a economia nacional no período válido de 2008-2009 (depois disso já não conta evidentemente, considerando-se aqui o ponto de não retorno a grande mentira eleitoral. Reparem, não foi a primeira mentira eleitoral nem a única, aliás, foi talvez a décima, mas foi demasiado grande).

Desculpem este desvio, mas não resisti. O que me trouxe aqui hoje é apenas isto: o Professor Marcelo conseguiu conciliar o inconciliável, mostrou-se satisfeito com as medidas do governo (depreendo que se refere aos PECs e ao OE 2011), mostrou-nos que ainda podiam ser piores (como noutros países em que foram exigidas medidas mais duras), diferencia-nos da Irlanda, e depois debita sugestões para apoiar de forma urgente a pobreza generalizada no país, mobilizando a sociedade civil, os municípios, diversos grupos, associações, que podem colaborar em rede, e em que caberia ao Estado apenas facilitar, não servir de obstáculo. Também se referiu a um estudo sociológico recente sobre as desigualdades sociais no país, em que atrás de nós só estão a Bulgária, Letónia, etc.

Apesar de considerar que esta última parte da sua aulinha dominical, em que abordou a pobreza, ter sido a única realmente fiável, em que a manipulação verbal (em que é exímio), os equívocos, os alibis e as omissões não foram tão visíveis, não poderia deixar passar este terrível paradoxo: se já é imoral e escandaloso colocar as pessoas na pobreza, como é que pode ter concordado com as medidas do governo que mal tocam na despesa? Passa em revista as medidas e depois coloca a sociedade civil a pedalar sozinha e a manter um governo que lhe esgota todos os recursos à velocidade da luz? É pedalar em seco, de pouco valerá enquanto este governo (ou outros que funcionem na mesma lógica) se mantiver no poder. Será mais ou menos como andar a tapar buracos e nunca ver o fim da loucura descontrolada, aliás, já nem são buracos, são autênticas crateras. Claro que a sociedade civil se está a mobilizar, aliás, nunca deixou de estar mobilizada, mas a questão essencial não é essa: parem imediatamente com esta loucura nacional. O problema já está identificado. De que é que estão à espera? Um jornal francês já revelou a origem da gangrena, e digo-vos, em francês, pauvreté soa mais lúgubre do que nos livros do Charles Dickens. Pauvreté… já repararam como soa a maldição de uma qualquer múmia do Egipto?

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