Os 7 pecados mortais (7º e último episódio: como será pecar no séc. XXI?)

Como são 7 os pecados mortais teriam de ser 7 os episódios desta série. Varremo-los todos, mas fica a questão: como definiríamos hoje o pecado? Como será pecar no séc. XXI?

Na definição de pecado da Wikipedia, 3 condições são nomeadas: “matéria grave precisada pelos 10 mandamentos, pleno conhecimento de estar a cometer um pecado e plena e deliberada adesão da vontade”. No entanto, se reflectirmos um pouco sobre os 7 pecados revistos, verificamos que há dependências que dificilmente são consciencializadas, digamos assim. E se aprofundarmos ainda mais a nossa reflexão, quando toda uma sociedade se estrutura no pecado, como podemos responsabilizar cada indivíduo?

Este é o dilema. Sair dele não é fácil. A primeira ideia que me ocorreu foi a de procurar uma definição de pecado mais apropriada ao séc. XXI. Surgiu-me de imediato: tudo o que provoca sofrimento ao próprio ou a outros. Mas também podia ser: tudo o que limita a plena expressão e realização humana. Ou ainda: tudo o que destrói a vida. Ou mesmo: tudo o que aniquila, divide, empobrece, desfaz, corrompe, entristece, escraviza, etc. etc.

Depois pensei inevitavelmente no antídoto. O que pode contribuir para sair desse círculo vicioso de dependência e destruição? Em primeiro lugar, revelar a situação, fazê-la emergir à claridade. Depois, observá-la simplesmente e com coragem, conscientes de que todos temos a ver com essa realidade colectiva, de uma forma ou de outra. Peca-se por “pensamentos, actos e omissões”. O pecado faz parte da condição humana e quanto mais o iluminarmos e aceitarmos, como parte da nossa vida colectiva, mais contribuímos para o enfraquecer. Pode parecer paradoxal, mas quanto mais escondemos a verdade, quanto mais reprimimos o que nos perturba ou silenciamos o que nos envergonha, como indivíduos ou como comunidade, mais o pecado se afirma e impõe.

Nas minhas deambulações por livrarias descobri um livro que fala disto mesmo. Não torçam já o nariz à menção do nome de um dos autores (lá por ser um best-seller não quer dizer que não crie textos fabulosos e inspirados): “A Luz e a Sombra” de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson (da Lua de Papel, 2010, 1ª edição). O único senão é a tradução, um pouco retorcida. Mas a leitura vale bem a pena. A noção de “sombra colectiva” ou “inconsciente colectivo” é muitíssimo interessante e abre de certo modo um caminho possível para a compreensão dos nossos 7 pecados mortais.

“Os seres humanos criaram colectivamente o mundo sem terem consciênciade que isso estava a acontecer. Eis os principais ingredientes que usámos. Repare-se como se vão exacerbando, desde o primeiro, que parece assaz inofensivo, até ao último, que é profundamente auto-destrutivo:

Secretismo: Aprendemos a não revelar os nossos impulsos e desejos básicos.

Culpa e vergonha: A partir do momento em que ocultámos os impulsos e desejos básicos, ficámos com a sensação que eram algo impróprio.

Crítica: Tudo aquilo que nos parecia ser impróprio tornou-se errado.

Acusação: Queríamos apurar a quem cabia a responsabilidade pela dor que sentíamos.

Projecção: Fabricámos um bode expiatório conveniente, quer se tratasse de um inimigo odiado ou de uma força demoníaca invisível.

Separação: Fizemos tudo aquilo que podíamos para expulsar de nós essa força demoníaca. Os inimigos eram “o outro” e nós devíamos precaver-nos contra eles e combatê-los.

Conflito: Dado que a projecção foi incapaz de fazer desaparecer a dor permanente, seguiu-se um constante estado de guerra interior versus exterior.” (págs. 39-40)

No livro é proposta uma saída que implica as seguintes “escolhas”: “1 – Parar de projectar. 2 – Soltar-se e largar. 3 – Abandonar a autocrítica. 4 – Reconstruir o corpo emocional.” (pág. 43) Cada uma destas escolhas é desenvolvida a seguir e talvez um dia destes volte a esta abordagem, que me pareceu muito útil, mas por hoje apenas referir que se trata essencialmente de uma possível contribuição para a compreensão da manutenção de atitudes destrutivas a nível individual e a nível colectivo.

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