A mim, que só entro em qualquer repartição pública quando tal não pode ser evitado, fazem-me confusão estes gostos.

Introduziram o cartão de cidadão e gente em magotes acorreu a tirar o novo cartão de identificação sem que a validade do BI a isso obrigasse.

Por estes dias começou o censo e os portugueses acorreram com tal fulgor que puseram o serviço online e a linha telefónica de apoio em baixo.

Há umas conclusões que se podem tirar disto: a) os portugueses em geral têm pouco que fazer nas suas vidas (incluindo trabalhar, produzir, merecer o ordenado, passar tempo com os filhos, namorar, etc., etc.) e tempo em excesso para estas brincadeiras; b) os gostos dos portuguses quanto a ocupar o tempo que têm disponível é peculiar: preferem responder a questionários do INE e esperar horas nas lojas do cidadão do que ver filmes no youtube, ler jornais e blogues e revistas, mexericar com os colegas, aproveitar o sol de Primavera, reparar o verniz das unhas, …; c) esta carneirice portuguesa, bem como a pobreza de espírito que nos faz contentarmo-nos por podermos responder a um censo, para nem falar da perda de tempo de trabalho que estas actividades representam (ai a produtividade), pode ser tanto sintoma como causa da pantomina de país que temos construído.

Nota: Ler também o Carlos M. Fernandes n´O Insurgente.

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