E ainda há quem seja de esquerda?

A nossa esquerda parlamentar voltou a brindar-nos com mais um contributo para a desgraça.

Os partidos de Esquerda, caracterizados por uma capacidade histórica invulgar em levar países à bancarrota, mostraram hoje que ainda não perceberam que não se consegue tirar um país de dificuldades através de um Comité Central, do isolamento face ao mundo e de todas as medidas que os levam a não deixar grandes saudades naqueles que já se viram por eles governados.

Prova disso foi a recusa em se colocarem do lado da solução e a vontade para continuarem a ser parte do problema que o PCP, PEV e BE mostraram em se sentarem à mesa com aqueles que cá vêm emprestar-nos dinheiro. É que depois de terem contribuído para o chumbo do PEC IV, que sabiam de antemão que ia levar à queda do Governo, estavam à espera que acontecesse o quê? Um novo PREC?

É que das duas, uma: (i) ou não perceberam que nesse caso a Europa iria entrar na esfera da nossa soberania, para pôr ordem numa casa onde quem habita não se consegue governar ou; (ii) esta recusa em negociar directamente com quem pretende garantias de que não iremos desbaratar (mais) este dinheiro em disparates e a apresentação de medidas avulsas fora do quadro negocial, com o mero objectivo de não as ver implementadas, serve apenas para criar mais ruído e confusão à volta de um tema que de sí não é fácil.

Qualquer que seja a hipótese, este tipo de demonstrações de fraca vontade em contribuir para algo que ajude aqueles que lhes pagam ao fim do mês a superarem esta crise leva-me a questionar a utilidade destes partidos para o nosso sistema democrático.

Numa altura em que o dinheiro escasseia, talvez a nossa democracia necessite ela própria de um corte de custos e de indicadores de desempenho. Um deles deveria ser a vontade dos vários actores (sim, escrevo “actores” e então?) políticos em contribuir para verdadeiras soluções, de forma responsável.

Queriam evitar o FMI? Estou 100% de acordo que o deviam ter feito em tempo oportuno e de forma contrutiva. Não o fizeram, seja porque não queriam ou porque não conseguiram. Ajudaram com o seu discurso crispado a tornar essa entrada de entidades externas numa realidade inevitável. Agora, no mínimo, assumam as consequências e ajudem a resolver o problema que também ajudaram a criar.

É que problemas financeiros difíceis de resolver já temos os que Sócrates vai deixar, talvez não valha a pena pagarmos para nos andarem a criar outros.

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