Exercício pré-eleitoral nº 1: distinguir os compromissos baseados na confiança dos “compromissos” baseados no medo

Este é um primeiro exercício para reflexão que surgiu de duas perguntas que me começaram a perseguir: Quem é que lhes encomendou o sermão?, é a primeira, e Porque é que eles não querem que o PS fique de fora?, é a segunda.

Eu explico: este é o país das mil e uma pseudo-lideranças, em que qualquer um, digo bem, qualquer um, pode debitar o sermãozinho encomendado nos jornais ou nas televisões. Os comentadores políticos já não são suficientes, há que preparar o clima, o ambiente geral, para a sobrevivência pós-eleitoral do sistema e da sua cultura corporativa. Tornar visíveis e audíveis personagens mais ou menos aceites pelo cidadão comum, umas porque passaram pelo poder máximo no país (e daí?), outras porque são apresentadas como a “inteligência nacional”, a “cultura nacional”, a “consciência nacional”. E qual é o sermão encomendado? Simplesmente “compromissos” pós-eleitorais que garantam que o PS não fique de fora do governo que sair das eleições.

Estão a ver a razão destas perguntas que me têm importunado os neurónios? Pois bem, esta é a dimensão do desprezo da cultura corporativa pelas regras da democracia: antes mesmo das eleições, querem formatar os resultados à medida dos seus interesses.

Reparem que até aqui não foi possível qualquer “compromisso” com o PS. Com o PS nem sequer sobreviveu um simples acordozinho como o TGV, nada foi respeitado. Quando o PS tentou “compromissos” pós-eleitorais em 2009, nas eleições mais ficcionadas de que há memória, ninguém quis aceitar. Não é isto prova suficiente da sua incapacidade de negociar, respeitar acordos, honrar compromissos? Então, porquê esta insistência, esta romaria piedosa, ai, ai, que o PS não fique de fora? Isto é um “compromisso” baseado no medo. O medo do resultado eleitoral, em primeiro lugar. Colocando o medo no cidadão comum: qualquer governo que sair das eleições tem de ter uma abrangência tal… que contemple o PS. O PS tem de fazer parte da fórmula (mesmo que tenha sido precisamente o PS a trazer-nos ao desastre).

Neste momento só é legítimo e aceitável falar de entendimentos pós-eleitorais depois dos resultados eleitorais. Esse será o compromisso baseado na confiança. Primeiro, porque se baseia na escolha dos cidadãos, e esperemos que desta vez informados sobre a realidade. Segundo, porque cada partido tem de se submeter à avaliação nacional pelo seu desempenho e pelas garantias que dá de merecer essa confiança.

Já repararam que as pseudo-lideranças são fenómenos interessantes? Umas cavalgam grandes ondas e acabam na praia, a pedalar em seco; outras já estão na praia, a pedalar em seco, julgando que cavalgam grandes ondas. Se não fosse a nossa situação actual, até teria piada observá-las. Hoje é apenas irritante e cansativo.

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