A dimensão das vitórias

PSD e CDS somados tiveram ontem uma grande vitória, alcançando mais de 50% dos votos, algo de extrema importância para a legitimidade que terão para as políticas difíceis que se avizinham. Sempre pensei que seria melhor os dois partidos candidatarem-se separadamente por isto: se coligados tivessem uma maioria absoluta no parlamento, os votos na coligação seriam menores do que a soma dos dois e a verdade é que dificilmente seriam os eleitos de mais de metade dos eleitores e não teriam a legitimidade do volume de votos que têm hoje. No entanto, se pensarmos em cada um dos partidos, a dimensão da vitória atenua-se.

PSD e Passos Coelho foram os grandes vencedores da noite. Se Passos Coelho ganhou um novo elan com a vitória – não seria a primeira vez que um líder encontrou o registo certo só depois de uma vitória, deixando de interessar quanto titubeou anteriormente – e tenha oportunidade de vir a ser um bom primeiro-ministro (se assim o tentar e escolher), já o PSD não pode deixar de reflectir sobre a dimensão da vitória de ontem. E a vitória de ontem, depois de seis anos de governo sócrates, depois da bancarrota, depois da necessidade de intervenção do FMI, depois de 700.000 desempregados (e de 200.000 de inactivos por desistência de procurar trabalho), depois da leva de emigração, depois das quinhentas mil mentiras e contradições, depois dos casos mais escandalosos que alguma vez envolveram um pm, enfim, depois disto tudo, o PSD não conseguiu sequer alcançar a percentagem e os votos de 2002, depois de seis anos (suaves, comparados com a actualidade) de Guterres e, menos ainda, alcançar os votos do PS em 2005 depois da governação de Barroso e Santana Lopes (uns meninos de coro competentíssimos quando comparados com sócrates). Terá o PSD esgotado o seu crescimento potencial? 

O CDS teve um dos seus melhores resultados de sempre e reforçou o seu grupo parlamentar. Teve as votações mais elevadas nos eleitores mais jovens e mais urbanos, o que é sempre uma boa tendência. Podia ter crescido mais, mas resistiu muito bem numas eleições em que contou o voto útil e em que o PSD também estava em crescimento. No entanto, as sondagens inebriaram o CDS que se desconcentrou daquilo que faz bem e por agora o tem feito crescer: tirar votantes ao PSD nos seus votantes mais à direita, que estão descontentes com os tiques socialistas do PSD – que se agravarão no poder. A gestão das expectativas é assim mesmo; todos esperavam que o CDS crescesse mais; como cresceu, mas não tanto como poderia, perdeu algum do allure da vitória. 

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