Será que os políticos dão conta do recado?

Cada vez mais me inclino para esta conclusão muito prática: os políticos não dão conta do recado. Está-se mesmo a ver que não dão. E nem é só por cá, é também na Europa. Mas isso já são questões complexas de mais para poder lançar-me numa possível explicação. Resta-me, assim, constatar e deduzir, a partir das frases mediáticas de vozes que se organizam em sintonia: primeiro foi Buffett, mas isso é na realidade dos EUA, depois França, a seguir cá…

A minha constatação dedutiva é esta: quando deviam estar a tratar de conseguir pôr a economia a crescer – objectivo inicial que já ficou esquecido -, resolvem dedicar-se a técnicas publicitárias desactualizadas para distrair as massas: lembraram-se de perseguir o dinheiro onde ainda o há. Na incapacidade de pôr o país a trabalhar, produzir, exportar, vão à receitinha já sua conhecida: buscar aos que o têm, ao rendimento ou ao património. Isto também tem muito da cultura socialista: na incapacidade de produzir riqueza, vai-se buscar até esgotar os recursos, depois é a vez dos contribuintes tratarem de sustentar a máquina, depois vai-se procurar onde ainda há dinheiro vivo a circular, depois volta-se ao contribuinte com essa nova credibilidade, da justiça nos impostos, de terem taxado os ricos.

Num país como o nosso actualmente, que não atrai investimento (já Medina Carreira o disse e repetiu até à exaustão), sim, num país com estas características falar de mais impostos e de perseguição à riqueza, é mesmo escolher o tema errado no timing errado e no lugar errado! Tanta falta de pontaria e de oportunidade leva-me a concluir definitivamente: os políticos não dão conta do recado.

O que nos falta então?

1º – A possibilidade de quebrar este círculo vicioso: ganham-se eleições com objectivos que não são para cumprir; trabalha-se depois a ficção em vez da verdade, para manter o sistema; as massas são tratadas como consumidores acríticos dessa ficção;

2ª – A possibilidade de uma mudança cultural profunda: de uma cultura corporativa para uma cultura de informação e colaboração, própria de um mundo globalizado; da procura de um lugar ao sol, mesmo que à custa do próximo, para a colaboração responsável num projecto comum; da actual valorização de privilégios sem base que os justifiquem para a valorização do trabalho e dos resultados concretos do trabalho.

Para isto se tornar possível, é necessário analisar, de forma profunda e sem preconceitos, as origens desta mentalidade. Como não sou especialista em História, não me atrevo a lançar grandes hipóteses, mas apontaria para um reforço desta cultura corporativa no período pós-descobrimentos, quando a decadência se tornou visível, muita parra e pouca uva, viver na ostentação sem base que o justifique. Também a centralização do poder em Lisboa contribuiu para que esta cultura se instalasse como marca registada. Qual a diferença entre os actuais políticos e os dessa época? Se a houver, pode ser até para pior, pois se nessa altura se faziam registos das transacções (as regras do jogo da relação gestores públicos-sectores produtivos), hoje é tudo nebuloso: motivações, relações, legislação, resultados.

O resultado desta ficção muito bem montada, como um spot publicitário, e por incrível que pareça, será precisamente o de manter o aumento da distância entre ricos e pobres. Mas com a vantagem de calar os pobres. É esta a agendinha não revelada. Esta fórmula nem é nada original, já vem de velhos hábitos de quem exerce o poder.

As perguntas que deveriam estar a ser formuladas:

Quem é que nos informa onde circula o dinheiro que deveria, esse sim, ser taxado, o dinheiro da verdadeira fuga aos impostos? Como justificar a manutenção de um estado que cresceu à custa do contribuinte e que funciona muitas vezes contra o contribuinte, dificultando-lhe a vida? Como contabilizar o prejuízo de incompetências governativas sucessivas? Porque é que não apresentam contas, os números, sobre os reais cortes na despesa? Porque é que ninguém fala de crescimento económico?

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