Oito meses de Kindle

Foi a minha autoprenda do Natal passado, e tornou-se o quarto filho da casa. Consegui voltar aos belos velhos tempos de leituras incessantes sem para isso ter de atafulhar ainda mais o parco espaço que disponho no meu castelo (a casa de um homem, mesmo que uma barraca, será sempre o seu castelo), tenho relido os meus autores de sempre agora na sua língua original e tenho-me deliciado com a grafia portuguesa de 1901. Um Kindle sem o Project Gutenberg seria um nado morto. Só esta associação me poderia fazer descobrir que a Charlotte Brontë, nascida um ano antes da morte de Jane Austen, é melhor que a a antecessora, porque nunca me lembraria (enfim, às vezes lembrava-me mas saía um pouco caro) de as ler na sua língua materna – as traduções esconderam esta minha epifania; que Melville, Twain e Dickens são intemporais; que Maugham merece um lugar muito especial em qualquer biblioteca, mesmo que electrónica; e por fim estava longe de pensar que alguma vez mais me deixaria enlevar outra vez com o Jacinto (ai senhores, Jacintho, Jacintho!) e o Zé Fernandes no “céo de Março [que] nos concedia caridosamente um pouco de azul agoado” de Paris.

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